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“Comer com os olhos”: pesquisa constata influência do culto ao corpo promovido pela mídia na alimentação de adolescentes

Estudo realizado na Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), pela professora Giane Moliari Serra, revela que o culto ao corpo promovido pela mídia influencia o que vai para o prato dos jovens no dia-a-dia. Além disso, a mídia também produz discursos específicos sobre alimentação e passa, por exemplo, a idéia de que a opção por sanduíches e comidas rápidas é prática, moderna e até mesmo saudável. Giane estuda relações entre mídia e alimentação há quase dez anos e, na tese de doutorado, estudou a novela Malhação, produzida pela Rede Globo. O resultado foi o estudo “Comer com os olhos: discursos televisivos e produção de sentidos na promoção da saúde nutricional de adolescentes”, que constata, através de entrevistas, que os padrões alimentares difundidos pela televisão coincidem com os dos jovens e adolescentes. Um dos aspectos abordados por Giane na tese é a publicidade. Ela percebe que as propagandas, que antes apenas chamavam a atenção para um produto exaltando suas vantagens, hoje em dia, produzem o consumo como estilo de vida, gerando um produto próprio: o consumidor, eternamente intranqüilo e insatisfeito com a sua aparência. A pesquisadora e professora da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) defende que é necessário ampliar os estudos sobre a mídia para oferecer subsídios aos elaboradores de políticas públicas. “Além disso, também objetivamos o auxílio dos jovens nas suas escolhas por opções mais conscientes quanto à forma de se alimentar e conceber seu corpo”, explica. A televisão é, no Brasil, uma importante fonte de informações e formação de sentidos porque está presente na maioria dos lares, independentemente de classe social. Giane explica que o foco nos adolescentes foi escolhido porque eles representam um grupo especialmente contemplado pelos programas televisivos que buscam estimular determinados modelos de alimentação e de estética corporal. “Outro forte motivo para a escolha dessa faixa etária foi a carência de políticas públicas de saúde que contemplem as reais demandas destes atores”, analisa Giane. Giane enfatiza que a prática alimentar é complexa e envolve mais do que a satisfação das necessidades calóricas e nutricionais. Ela ainda ressalta que, durante o estudo da novela Malhação, identificou-se nos diálogos motivos que levam os jovens a experimentarem inúmeras práticas sem, contudo, assumirem um “plano alimentar” que promova a sua saúde. Um deles é a de aceitação no grupo. “Quem se alimenta de lanches rápidos faz parte de um grupo identificado como moderno, jovem, prático. Portanto, quem não assume tal prática está fora do grupo”, comenta a pesquisadora. (Fonte: Informe ENSP)