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Museu da Criação, recentemente inaugurado nos EUA, causa polêmica

Baseado no slogan “Prepare-se para crer”, o Museu da Criação, inaugurado nos Estados Unidos, dia 28/5, teve sua solenidade de abertura cercada de muita polêmica e publicidade. O museu, que oferece aos visitantes a possibilidade de uma caminhada através da história do mundo a partir de uma perspectiva bíblica, foi notícia em todos os principais jornais americanos, teve casa cheia já no primeiro dia (quase 4 mil pessoas) e enfrentou protestos daqueles que defendem as evidências científicas de que a Terra foi criada bilhões de anos antes da interpretação tradicional do Gênesis, que afirma que a criação aconteceu há 6 mil anos.

O movimento contrário acusa o museu de promover o engano e aconteceu em frente ao prédio, em Petersburgo, no estado de Kentucky, no momento da inauguração. Na exposição, 5.500 metros quadrados de muita tecnologia, cor e efeitos especiais de cinema levam o visitante, por exemplo, a um passeio por um Jardim do Éden rico em detalhes e pela Arca de Noé, ainda sendo martelada por homens robóticos. Os idealizadores do museu levantaram 27 milhões de dólares, com a ajuda de doações de cristãos de todo o país, para atingir a meta de traduzir as páginas da Bíblia e transformá-la numa experiência sensorial para a vida.

A descrição do conteúdo da exposição no museu, feita pela instituição em sua página na internet, menciona “mais de 50 animais exóticos” e dinossauros que se movimentam eletronicamente. As imagens de divulgação do site oficial privilegiam estes elementos. Segundo os fundadores, há também cenários realísticos e pessoas em tamanho real. O ingresso para adultos é US$19, 95. Crianças de 5 a 12 anos: US$14,95. Menores de 5 anos não pagam. A reportagem dos jornais americanos entrevistou um físico e escritor acadêmico, opositor do projeto, que decidiu ver a exposição logo no primeiro dia. Lawrence Krauss disse: “É realmente impressionante. E realmente dá a impressão de que eles estão falando de ciência em algum ponto. Numa escala de 1 a 5, com 5 sendo a melhor nota, eu daria ao museu um 4 para a tecnologia e 5 para a propaganda. Já para o conteúdo, eu daria menos 5, o máximo negativo”.

Na matéria do jornal USA Today, traduzida pelo portal UOL, uma descrição interessante da polêmica: “Alguns visitantes disseram que o museu – um cruzamento de museu de história natural com parque temático bíblico – reforçou suas noções de que as teorias da evolução e do Big Bang – que o universo foi criado em uma explosão gigante – estão erradas, apesar do consenso científico contrário. “Se você quiser acreditar que veio de animais, isso cabe a você. Mas é mentira”, disse Paul Aduba, de Toledo, Ohio. Fora dos portões do museu, mais de 100 manifestantes, inclusive cientistas e grupos humanistas, brandiam cartazes que diziam: “Ciência, não superstição” e “Não faça lavagem cerebral em nossos filhos”. Um grupo alugou um avião que atravessava o estacionamento com uma faixa que dizia: “Não mentirás”.” Segundo os jornais, o museu é ligado ao trabalho de “um grupo religioso conservador, Answers in Genesis, parte do movimento criacionista “Terra jovem”.”

Atualizada: Domingo, 20 Novembro 2011 11:20