passaporte para fluencia em ingles banner

Editores cristãos buscam aprimoramento na maior feira de livros do mundo

A 61ª Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha, a mais importante do mercado editorial em todo mundo, que terminou em 18/10, contou com a presença de representantes evangélicos da indústria editorial brasileira. A Câmara Brasileira do Livro (CBL), organizadora do estande brasileiro no evento, teve 50 expositores, e avaliou como bastante positiva a participação do Brasil, tanto no âmbito institucional como de negócios. O vice-presidente editorial da Associação dos Editores Cristãos (ASEC, antiga ABEC), Renato Fleischner, é da mesma opinião. Renato, que também é diretor editorial da Mundo Cristão, acompanhou de perto a Feira ao lado da presidente da entidade nacional, Marilene Terrengui, da Hagnos. Segundo ele, "o saldo para as editoras evangélicas que aqui estiveram foi extremamente positivo. Embora nenhuma delas tenha montado um estande de exposição, trocamos informações, conversamos com empresas que fazem impressão de livros em outros países, tivemos contato com novas idéias visuais e, claro, compramos alguns direitos literários. Estou super satisfeito com o resultado da viagem". Em termos religiosos, a polêmica ficou de fora desta edição da Feira. Há três anos, o lançamento da "Bíblia em uma linguagem mais justa", editada por uma empresa alemã, causou enorme polêmica. Contudo, após seu lançamento na Feira, foram vendidos em apenas duas semanas 20 mil exemplares, apenas na Alemanha. A Bíblia “in gerechter Sprache”, ou Bíblia numa linguagem mais justa, foi criada para ser uma tradução moderna, que daria mais visibilidade às mulheres, corrigiria formulações anti-semitas e chamaria a atenção para questões sociais. Mas o livro com 2.400 páginas, lançado na Feira do Livro de Frankfurt em 2006, dividiu tanto teólogos quanto leigos, alguns dos quais se sentiram atacados em suas crenças. A nova tradução, fruto do trabalho de dez teólogos e 42 teólogas, menciona as mulheres sempre que os homens são citados, mesmo correndo o risco de distorcer o pano de fundo histórico da Bíblia e distanciar-se dos originais hebraico e grego. Assim, o livro refere-se a rabinos e rabinas, embora as primeiras rabinas tenham sido ordenadas só nos anos 1970. Polêmicas à parte, Renato Fleischner conta que negócios muito importantes para o mercado no Brasil foram tratados nos dias do evento na Alemanha: “As editoras percorrem os estandes e as palestras. O sábado e domingo são reservados para o público. O espaço é no mínimo seis vezes maior que a Bienal do Rio ou de São Paulo. Ao todo são nove pavilhões de três andares. Fazemos reuniões com gráficas internacionais de diversas nacionalidades já que, na prática, só imprimimos nossos produtos no Brasil, na China, na Coréia e na Índia. Nestas feiras, você tem a oportunidade de conhecer pessoas dessas áreas e trocar informações. Também vendemos obras nossas, além de conversarmos com designers europeus que trabalham apenas com projetos de livros, editoração e novas tendências visuais. É um espetáculo!", diz Fleischner. Os editores evangélicos que foram à Alemanha ainda puderam observar como as melhores empresas do ramo no mundo trabalham características de produção, layout de capa e estandes de produto como uma forma de trazer para o Brasil o know-how adquirido pelas empresas top de linha na Europa e nos Estados Unidos. (Marcelo Dutra)