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Manchete da Folha contra IURD foi preconceituosa, diz professor de Jornalismo

Em seu comentário de rádio para o Observatório da Imprensa, o jornalista Alberto Dines criticou a manchete da Folha de São Paulo sobre as denúncias do Ministério Público contra Edir Macedo. Dines diz o seguinte: "Na terça-feira (11/8), a Folha de S.Paulo noticiou com grande destaque: "Universal é acusada de lavar dinheiro". A pedido do Ministério Público de São Paulo, a Justiça abriu na véspera uma ação criminal por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha contra dez dirigentes da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), entre eles o seu dirigente máximo, bispo Edir Macedo(...) A IURD, enquanto confissão religiosa, não estava sendo denunciada, nem os seus oito milhões de devotos e crentes – a manchete da Folha foi formulada de maneira preconceituosa. Naquela mesma noite, o Jornal Nacional da TV Globo dedicou 11 minutos – na TV, uma eternidade! – à repercussão do noticiário daquela manhã". Alberto Dines, jornalista com mais de 50 anos de carreira, professor e especialista no assunto, com livros publicados, dirigiu equipes de redação na grande mídia diversas vezes e foi o criador do site Observatório da Imprensa, o primeiro periódico de acompanhamento da mídia, que conta atualmente com versões no rádio e na TV. Do alto de toda essa experiência, ele ressalta: "Denunciar as eventuais falcatruas dos líderes de uma seita religiosa é uma obrigação das autoridades, também da imprensa, mas é impiedoso ignorar as convicções dos seus fiéis". Mas espanta-se: "Da quarta-feira (12/8) até domingo (16), toda a grande mídia aderiu com gosto ao pesado bombardeio contra o bispo Macedo e o seu conglomerado que inclui 23 emissoras de TV, entre elas a Rede Record, 78 rádios (próprias e arrendadas), três jornais e outras 16 empresas em diversos segmentos". E complementa: "Não é a primeira vez que o grupo empresarial é alvo de investigações relacionadas com o recolhimento dos dízimos pagos pelos fiéis e indevidamente embolsados por Edir Macedo e seus parceiros, a maioria destacados dirigentes da Igreja Universal. Mas aqueles que freqüentam os templos, participam dos cultos e seguem a sua Teologia da Prosperidade não deveriam ser misturados às supostas trapaças de seus sacerdotes." Dines também critica o posicionamento da mídia frente ao acordo Brasil-Vaticano: "Não estão claras também as razões da recente e surpreendente reviravolta da mídia no tocante à concordata do Estado brasileiro com o Vaticano. Os jornalões acumpliciaram-se com o governo no fim do ano passado e disfarçaram todos os indícios de um tratado com a Santa Sé – na realidade, um convênio preferencial com a Igreja Católica. Na ocasião este Observatório esperneou [ver "Omissão da mídia sobre o acordo com o Vaticano" e "Acordo por debaixo dos panos"]. Agora, um a um, os veículos começam a interessar-se pela questão do Estado secular como se nada tivesse acontecido em Roma em novembro de 2008". Leia aqui a íntegra do artigo e, na mesma página do Observatório, os links para os textos: "Igreja e Estado: Acordo por debaixo dos panos – A.D."; "Omissão da mídia sobre o acordo com o Vaticano – Roseli Fischmann", "Igreja e Estado: Notícia (convenientemente) ignorada – A.D."; "Mídia se cala sobre o acordo do governo com a Santa Sé – Lilia Diniz"; "O crucifixo do STF – A.D."; "A íntegra do acordo – Ministério das Relações Exteriores"; "A íntegra do acordo (em italiano e português)".