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Filme indiano ganhador de 8 Oscars apresenta lições de vida em uma Índia diferente da novela

O diretor britânico Danny Boyle acertou em cheio - conseguiu com “Slumdog Millionaire” (Quem quer ser um Milionário?) o que seus filmes anteriores “Trainspotting” (Sem Limites), “28 Days Later” (Extermínio), “Millions” (Caiu do Céu) e Sunshine (Sunshine, Alerta Solar) não conseguiram: consagração de crítica e público. Arrebatando oito das nove indicações diferentes ao Oscar – só não ganhou o de Melhor Edição de Som – além de sete BAFTA’s e quatro Globos de Ouro, Slumdog Millionaire (cuja tradução literal “Vira-lata Milionário”, bem mais ofensiva, se harmonizaria melhor com a contundência do tema) é mais uma comprovação de que a Índia emergiu para ocupar no século 21 um lugar de destaque entre as nações. Bollywood conquistou o seu espaço em Hollywood e merecidamente levou os prêmios de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Mixagem de Som e Melhor Canção Original (com duas indicações). Trata-se de um típico “filme de oprimido”, com os elementos já encontrados nas estórias de Charles Dickens, os mesmos que transformaram em sucesso o improvável Sylvester Stallone e seu personagem “Rocky Balboa” nos diversos “Rocky”: um protagonista que luta contra a pobreza, infância atribulada, problemas familiares, carências diversas e, após muitas batalhas, triunfa e encontra através do amor a redenção de sua vida. Boyle conta a estória de Jamal Malik (representado na idade adulta por Dav Patel, uma das boas promessas do cinema indiano). O personagem é um ícone, um produto da miséria degradante das favelas onde a vida é construída sob e sobre os dejetos descartados pela minoria afluente da sociedade. Um jovem facilmente encontrado nas enormes favelas indianas, tanto quanto no Brasil, ou em outras nações com nível de diferença social igualmente perversa. O brutal interrogatório das primeiras cenas tenta descobrir com que trapaça Jamal, um garotão de 18 anos, favelado e sem escolaridade, aparentemente desinteressado no dinheiro, está a uma resposta de ganhar vinte milhões de rúpias na versão indiana do programa de perguntas “Who Wants To Be a Millionaire”. Utilizando de forma magistral os recursos dos flashbacks, alternância de ritmo, closes e profusão de cores, à semelhança de Baz Luhrman em “Moulin Rouge”, Boyle relaciona cada pergunta acertada por Jamal `as experiências de sua tumultuada vida, transformando-o em uma versão indiana de Forrest Gump. “Eu sabia as respostas” é a frase de significado metafísico repetida pelo personagem enquanto a trama se desenrola, com notórias e bem humoradas referências a “Saturday Night Fever” (Embalos de Sábado a Noite) e aos “Três Mosqueteiros”, que é o tema da pergunta final. Característico de Boyle, o filme alterna cenas de beleza plástica com outras de incômoda crueldade; a Índia do Taj Mahal e dos lixões; humor e tragédia; dignidade e infâmia, tudo sob uma tênue camada de otimismo, que torna os momentos mais sombrios apenas algumas cenas distantes dos mais transcendentemente luminosos. Muitos são os temas de discussão que podem ser levantados a partir do filme: fanatismo religioso, Hinduísmo, pobreza, corrupção, violência policial, sexual e contra a mulher, a problemática das drogas, materialismo, Educação, idealismo, perseverança, coragem, lealdade, paixão, esperança e o poder do amor. O happy ending não conflita com a temática e é um traço de coerência do diretor, que já admitiu a intenção de dotar seus filmes com uma dimensão espiritual: “Há, além de nós, algo maior e mais amplo do que podemos acomodar ao momento”. Um otimista confesso - “Eu preciso de esperança”, já admitiu mais de uma vez – Boyle, com sua fábula ultramodernista, transformou um filme de modestíssimos 15 milhões de dólares de custo, em um blockbuster de cerca de 300 milhões de dólares de bilheteria, encantando platéias diversas, da China ao Irã. Entre os milhões de espectadores que se identificaram com algum aspecto do filme, um chegou até a se intitular um “Vira-lata”- Barack Hussein Obama, o presidente dos EUA. Mais detalhes? Acesse o site oficial, em Inglês: http://www.foxsearchlight.com/slumdogmillionaire. Por Philippe Leandro, pastor, ex-crítico de Cinema