Crescimento do número de refugiados é campo missionário nacional

Fazer missão cristã transcultural dentro de seu próprio país. Esta é a oportunidade e também o desafio que os deslocamentos dos povos, fenômeno que aumentou muito nos últimos tempos, principalmente por causa das mudanças forçadas, motivadas por guerra, outras formas de violência e perseguição, colocam à frente da igreja evangélica do país que recebe essas pessoas.

A Igreja cristã brasileira, assim como de todos os outros países para onde refugiados se dirigem, precisam estar atentas às necessidades dessas pessoas que sofrem e chegar junto com acolhimento e socorro. Os refugiados precisam do apoio do povo de Deus. Pare e pense, em seus passos, que faria Jesus em relação aos refugiados?

Refugiados no Brasil

O número de estrangeiros buscando refúgio no Brasil só aumenta a cada ano e, recentemente, houve uma explosão nesta quantidade de pessoas de outros países, principalmente da Venezuela.

Segundo relatório de 2018 da Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados), com dados referentes à 2017, período estudado, chegam a quase 10.500 os refugiados reconhecidos em terras brasileiras. A estes somam-se pouco mais de 85 mil que entraram com pedido de refúgio, e aguardam ser aceitos, e há os que têm permissão temporária de residência. Somando tudo isso há 148.645 pessoas refugiadas no País (dados de 2017).

Tal crescimento (dobrou em relação a 2016, por exemplo) tem especial relação com a crise econômica e política na Venezuela.

Só para efeito de comparação, o Brasil abrigava, há dez anos, em 2007, 3.889 pessoas que deixaram seus países porque estavam em risco de perseguição, seja por motivos políticos, raciais, religiosos ou de gênero, conforme dados do Comitê Nacional para Refugiados (Conare). Outra estatística, das Nações Unidas, registra que o número de refugiados em todo o mundo, que, em 2007, era de 11,4 milhões de pessoas, atualmente, em 2017, passaram a 68 milhões que deixaram seu país em busca de melhores condições de vida, metade destes menores de idade.

Já naquele tempo, em 2007, havia preocupação com a forma de tratamento com os refugiados. O presidente da Conare, Luiz Paulo Barreto, já dizia, então, que muitos refugiados no Brasil sofrem preconceito porque a sociedade desconhece a legislação que trata do tema. Com isso, refugiados muitas vezes ficavam sem emprego ou assistência. Para ele, conforme dizia em 2007, é preciso que haja "consciência de que refugiados não são criminosos, baderneiros ou pessoas “más” que foram expulsas do seu país". 

O título de refugiado no documento de identificação é para dar proteção, você não pode expulsar, não pode mandar para um país de fronteira, para o país de origem. Mas a discriminação acontece muitas vezes quando esta informação é percebida pelo possível empregador, por exemplo.

Faltava compreensão do problema em 2007, quando o número ainda era pequeno. Imagine como isso é necessário hoje em dia.

A maior parte dos refugiados no Brasil vem da Venezuela, mas também há pessoas do Haiti, Angola, Colômbia, República do Congo, entre outros. Para a recepção de refugiados, o Brasil obedece a duas regras jurídicas. A primeira é a Convenção de Genebra, da ONU, de 1951. A segunda é Lei 9.474/1997, conhecida como Lei do Refúgio.

Íntegra de documento da ONU sobre Refugiados - 2018

Leia aqui o relatório do ACNUR, Tendências Globais divulgado em junho de 2018, e um pacote de recursos multimídia também disponíveis (o documento em PDF pode ser baixado em inglês ou espanhol).

Atualizada: Quarta, 20 Junho 2018 13:29