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Igreja faz campanha inédita para esclarecimento e doação de órgãos

Na busca de aliviar a fonte de angústia pela falta de informação para toda a família dos pacientes com indicação para transplante de órgãos, porque muito pouco se discute sobre essa situação, havendo grande escassez de publicações a respeito da doação renal em vida, mesmo no âmbito médico, os membros da Igreja Presbiteriana de Cabo Frio, na Região dos Lagos, no estado do Rio de Janeiro, organizaram um evento inédito intitulado “Doação Renal: Mudando Paradigmas, Transformando a Sociedade”. Na certeza de que um potencial doador precisa receber informações suficientes para compreender todos os aspectos da doação, o evento ocorreu em novembro no templo da igreja no Bairro de Jardim Olinda. De acordo com o reverendo Luiz Carlos Correa, foi ministrada uma palestra sobre missões e orações, com o presbítero Azor Ferreira. Contudo, no dia seguinte, não por acaso a palestra foi sobre doação renal, numa clara demonstração do Evangelho Integral, aquele que se preocupa com as necessidades da alma e do corpo. O Presbitério de Cabo Frio promoveu a campanha para doação de órgãos cuja palestra foi ministrada pelos líderes da Associação de Movimentos dos renais Vivos do Rio de Janeiro (AMORVIT), com “o intento de esclarecer o processo de doação em vida, para que a mente e o coração sejam tocados”, disse o reverendo Kerginaldo Santos de Araújo, um dos organizadores do movimento. A iniciativa dos irmãos de Cabo Frio deve servir de exemplo a outras igrejas. Afinal, a doação de órgãos em vida é uma operação que difere das demais, por não envolver benefícios diretos ao doador que, inclusive, está sujeito a complicações. São possíveis ganhos secundários, como a descoberta de problemas médicos ocultos, apenas diagnosticados na avaliação pré-transplante, e o aumento na auto-estima por realizar algo grandioso. O que motiva em geral os doadores é o desejo de ajudar um ente querido. Há cerca de 70 mil pessoas esperando por um transplante no Brasil e estima-se que 36 novos pacientes são inscritos na lista de espera por dia. Estima-se que 90% da população aceitam bem o transplante intervivos. Entretanto, por falta de informação sobre o conceito de morte encefálica, ainda existe resistência ao transplante de órgãos de doador falecido, apesar das campanhas de esclarecimento realizadas por várias entidades. A quantidade de transplantes renais intervivos representa, aproximadamente, 50% do total de transplantes realizados, desde 2004, segundo dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos e Tecidos (ABTO). A doação renal é um ato altruísta, que não pressupõe gratificação alguma. (por Marcelo Dutra)