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Movimento luta por moradia popular no centro da cidade de São Paulo

Em protesto contra a existência de cerca de 500 mil domicílios vazios na cidade de São Paulo que não cumprem a sua função social – 40 mil só na região central –, os movimentos por moradia acampam-se em frente a seis prédios desapropriados ou abandonados na região do Centro desde segunda-feira, dia 21/5.

O encerramento da campanha será dia 24 de maio, com encontro dos movimentos na Praça do Patriarca, às 13h. As informações são do Instituto Polis. Uma carta da Campanha por Moradia Popular no Centro da Cidade de São Paulo explica os motivos do movimento. Na carta, os militantes do movimento também falam dos desafios do problema de moradia numa cidade como São Paulo:

“Estamos acampando em frente a diversos prédios desapropriados ou abandonados no centro. O problema da habitação na cidade de São Paulo é gravíssimo, são milhões de pessoas vivendo em condições precárias. Existem cerca de 500 mil domicílios vazios na cidade de São Paulo, que não cumprem a sua função social, sendo 40 mil só na região central. No entanto, milhares de famílias são exploradas nos precários cortiços, cresce o número de favelas em áreas de risco e as ocupações nas áreas de proteção aos mananciais se multiplicam, trazendo graves conseqüências para toda a cidade e aumentando a pobreza e a exclusão social.

“Os movimentos de moradia que atuam no centro lutam pelo direito da população de baixa renda morar no centro, onde há maior acesso aos equipamentos sociais, ao transporte coletivo e às ofertas de trabalho. Morar no centro é garantir o direito à cidade.

“Neste ano de 2007, está fazendo dez anos que os movimentos de moradia vêm travando uma luta de forma incansável e diária por este território. São trabalhadores e trabalhadoras, crianças, mulheres, idosos, pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, pessoas excluídas e discriminadas, que decidiram não mais abrir mão de seus direitos.

“Assim sendo, propõem políticas públicas que visam uma cidade mais justa e democrática, através da luta por projetos de habitação de interesse social sustentáveis e pela elaboração de legislações como do Plano Diretor de São Paulo. No entanto, a Prefeitura, no processo de revitalização do centro, tem excluído sempre mais a permanência da população de baixa renda no centro.

“Reivindicamos da Prefeitura Municipal, do Governo do Estado e do Governo Federal:

“Reforma dos prédios já desapropriados para programa de Locação Social; Garantia da demanda já cadastrada em 2004 pela Prefeitura; Compra e reforma de prédios abandonados para a população de baixa renda; Moradia popular como um dos usos para garantir um centro plural; Punição e IPTU progressivo para os especuladores que deixam seus imóveis abandonados; Garantia das ZEIS (Zonas Especiais de Interesse Social) para moradia popular no centro; Garantia das ZEIS nas áreas de Operação Urbana.”

Assinam o documento, o Fórum dos Cortiços e Sem Teto – UMM; o MMC - Movimento de Moradia do Centro / Associação Futuro Melhor – UMM; o MMRC - Movimento de Moradia da Região Central – FLM; o MSTC - Movimento dos Sem Teto do Centro – FLM; a ULC - Unificação das Lutas de Cortiços – UMM; e Moradores do Edifício São Vito. Esses movimento contam com o apoio da Associação de Auxílio Mútuo da Região Leste (Apoio); Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos; Fórum Centro Vivo; e Instituto Pólis. Há barracas armadas nos seguintes endereços: Praça Roosevelt, s/n (Caixa Econômica Federal – prédio abandonado), Rua Tabatinguera, 277 (Prefeitura Municipal de São Paulo – reforma parada), Avenida Nove de Julho, 584 (INSS - projeto de reforma parado), Rua Cásper Líbero, 88 (Patrimônio da União - prédio abandonado), Avenida do Estado, 3197 (Ministério Público - Edifício São Vito - projeto de reforma parado) e Rua Asdrúbal de Nascimento, 268 (Prefeitura Municipal de São Paulo – prédio em reforma com recursos do Programa Especial de Habitação Popular).

Atualizada: Quarta, 26 Novembro 2014 09:05