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Pesquisa da USP demonstra que infra-estrutura urbana é desigual para os mais pobres

Imagine um inimigo com sabedoria milenar, poder sobrenatural e muita vontade de roubar, matar e destruir pessoas. O que ele planejaria para atingir seu objetivo mais rapidamente?

Nem é necessário muita inteligência para responder que tal adversário da felicidade humana escolheria agir por atacado, incidindo especialmente sobre a construção de estruturas urbanas inadequadas e fomentadoras de sofrimentos para a maioria pobre das cidades. E que faria isso através de incentivo à prática de corrupção, à formulação de políticas públicas egoístas e uma economia equivocada, produtora de desigualdades e injustiça. Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), divulgada recentemente, revelou que, na capital paulistana, esta fórmula maligna está dando certo. Segundo o estudo, a infra-estrutura urbana é desigual para os mais pobres e, apesar de os índices de energia, água e esgoto, atingirem 90% da população, oferecem serviços de menor qualidade para os mais necessitados.

Segundo o diagnóstico relatado pela universidade, a infra-estrutura provida pelo Estado chega aos mais pobres na cidade (mais de 90% das casas têm redes de energia elétrica, água e iluminação pública, e cerca de 80% possuem rede de esgoto), mas o grande problema reside na desigualdade do fornecimento dessa infra-estrutura e na qualidade de vida dos 40% mais pobres da cidade. Estes dados são resultado da dissertação de mestrado da pesquisadora Renata Bichir, apresentada na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. “Há maiores patamares de acesso do que se imaginava, porém há uma grande exposição à violência, ao desemprego e a outros riscos”, diz a pesquisadora. Quem sofre mais é “o chefe de família pobre, residente na periferia, nas “franjas do município”, com baixa renda (dentro do grupo dos mais pobres do município, o que agrava a situação) e chegada recente na cidade”. Nesse grupo, o acesso inadequado à infra-estrutura é de cerca de 70%.

A partir de uma pesquisa por amostragem realizada em 2004 pelo Centro de Estudos da Metrópole (CEM), Renata, pesquisadora da instituição, apresentou dissertação sobre a análise das conseqüências do fenômeno da segregação residencial na infra-estrutura urbana (fornecimento de energia elétrica, água, esgoto, iluminação pública, calçamento, transporte público, parques e áreas verdes, como praças e canteiros), a fim de provar o impacto da dimensão espacial no acesso a políticas públicas desse gênero.

Segundo ela, o estudo aponta diversas áreas invisíveis ao Estado no que se refere à implementação de políticas públicas de infra-estrutura urbana, especialmente em áreas de favelas e loteamentos irregulares, o que demonstra diversos níveis de atenção do Estado às regiões periféricas: “Uma conclusão relevante é a idéia de heterogeneidade do acesso [a dispositivos de infra-estrtura urbana] mesmo entre os mais pobres e no interior das áreas chamadas genericamente de periferias”.

Além da pesquisa da USP, fica a sugestão de leitura de “Cidade de Deus, Cidade de Satanás – uma Teologia Bíblica da Igreja nos Centros Urbanos”, livro de Robert C.Linthicum, Missão Editora, 1993, que acrescenta detalhes e profundidade à visão de um inimigo que produz o mal sistêmico e corporativo que afeta a Pólis para “roubar, matar e destruir”. Hoje, o autor desta obra é presidente de uma organização cristã (Partners in Urban Transformation) que se dedica ao trabalho de fortalecimento de ministérios urbanos e faz palestras sobre o desafio das cidades para igreja cristãs em seminários pelo mundo. Outros livros dele (títulos em inglês): “Empowering the Poor” e “Transforming Power - Biblical Strategies for Making a Difference in Your Community”, de 2003.

Atualizada: Quarta, 26 Novembro 2014 09:03