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A religiosidade popular e o cangaço em clássicos da literatura com novo design

Uma sugestão de leitura bem agradável para este finzinho das férias vem com o toque especial do escritor paraibano José Lins do Rego. Com novo projeto gráfico, “Pedra Bonita” e “Cangaceiros” acabam de chegar às livrarias pela Editora José Olympio, do Grupo Editorial Record. Além do prazer de saborear o ambiente cultural do sertão nordestino do século passado, as obras convidam à leitura porque retratam com riqueza de detalhes a religiosidade daquele povo, partindo a história toda de dentro da casa de um padre abnegado e tendo como contexto a proximidade de um lugarejo onde, décadas antes, ocorreram muitas mortes por causa de uma onda de fanatismo religioso.
Segundo a editora, os livros são considerados dois marcos literários sobre o nordeste: “Narram a história de Antônio Bento, o Bentinho, menino nascido nos sertões. Na primeira obra, ainda menino, ele é deixado pela mãe aos cuidados do tio, o Padre Amâncio, para fugir da seca. Ele passa a ser sacristão, mas por ter um irmão envolvido com o cangaço, é rejeitado pelos moradores da Vila do Açu. Ele acaba dividido entre seguir os ensinamentos de seu tio ou os passos de seu irmão. Em “Cangaceiros”, escrito 15 anos depois do primeiro romance, Bentinho vive um amor proibido com a bela Alice. Mais uma vez, sua ligação indireta com o cangaço lhe traz problemas, uma vez que o pai da jovem é absolutamente contra o romance dos dois por odiar o cangaço”.

 

Com estilo crítico e observador das desigualdades sociais, José Lins do Rêgo aborda a luta pela sobrevivência no sertão, a brutalidade do cangaço e os motivos que levam os homens a entrar para o movimento. O autor nasceu na Paraíba em 1901. O mundo rural do Nordeste lhe serviu de primeira inspiração – publicou Menino de Engenho em 1932. Seus livros foram adaptados para o cinema e traduzidos na Alemanha, França, Inglaterra, Espanha, Estados Unidos, Itália, entre outros países. Em meados dos anos de 1950, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras e, em 1957, o Brasil perdia um de seus maiores escritores. Menino de engenho, Fogo Morto e Histórias da Velha Totônia também foram relançados com um projeto gráfico novo pela Editora José Olympio em 2010.