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Morre bispo defensor da luta dos povos indígenas

O bispo emérito de San Cristóbal de las Casas, Chiapas, Samuel Ruiz Garcia, morreu no dia 24 de janeiro, na Cidade do México, aos 86 anos de idade. Ruiz, defensor da luta dos povos indígenas no México, foi o mediador entre o governo federal e o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN).

O prelado ficou internado por duas semanas em janeiro, devido a deficiências pulmonares e renais, problemas nas artérias coronárias e carótidas, e diabetes prolongada, disse em um comunicado Felipe Arizmendi Esquivel, atual bispo da diocese de San Cristobal de las Casas. Com sua morte, o bispo Raul Vera Lopes disse, “a igreja perde um ponto de referência e a sociedade uma figura de ordem moral e responsabilidade ética, que exerceu a sua missão de um serviço da igreja para o mundo, não um serviço religioso para si mesma, que se protege, guarda silêncio e faz acordos com o poder. Era um homem livre”.

Sobre Samuel Ruiz, o poeta chiapneco Juan Bañuelos, declarou: "Hoje morreu um dos maiores sábios que defendeu durante toda sua vida os direitos humanos dos povos indígenas do México, especialmente em Chiapas. Sua humildade e grandeza humana foram o caminho que nos fez, os que convivemos com ele, seguir em organizações de fraternidade e paz na selva chiapaneca. Nossa amizade era muito próxima e respeitamos o seu modo de pensar sobre o futuro do nosso país. Com ele convivi na organização pela paz e no diálogo depois da revolta indígena de 1994 em nosso estado, com o Subcomandante Marcos à frente". O próprio subcomandante Marcos assinou Carta Pública do EZLN de pesar pela morte do bispo.

Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito de São Felix do Araguaia (MT), também divulgou uma mensagem quando da morte de Dom Samuel: “O caminhante bispo de Chiapas chegou à Aldeia Grande, na Paz, e dali seguirá sendo, agora com plena liberdade, verdadeiro profeta na sociedade e na Igreja, no meio dos povos de nossa Ameríndia. Agora sim, definitivamente, vencidas muitas batalhas contra o império, a idolatria, o racismo, e apesar do fundamentalismo eclesiástico, e sendo Igreja na opção pelos pobres, solidário com todas as causas dos direitos indígenas e de uma Igreja inculturada e libertadora, com a coragem e a serenidade do Evangelho dos pobres. Com São Bartolomeu de las Casas, com Taita Leonidas Proaño e com Tatic Samuel Ruiz, todos nós, seguiremos nas lutas e nas esperanças do Evangelho do Reino”.

Fonte: Brasil de Fato e Adital

Atualizada: Sábado, 30 Agosto 2014 11:03