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Releia o compromisso de Lausanne III: confissão de fé e chamado à ação

O Compromisso da Cidade do Cabo é um abrangente documento de referência geral que resume as conclusões do terceiro congresso Lausanne sobre evangelização mundial, que aconteceu na Cidade do Cabo, na África do Sul (de 16 a 25 de outubro de 2010, com a presença de 4.200 líderes evangélicos de 198 nações). É impossível captar o espírito de Lausanne III, em um resumo de três páginas, assim este resumo deve ser interpretado em conjunto com a íntegra do documento original (por enquanto, disponível apenas em inglês). Leia a seguir o resumo.

O Compromisso de Lausanne III é embasado na convicção de que “na missão cristã, devemos responder às realidades de nossa geração". A missão da Igreja deve levar a sério tanto a natureza imutável da Palavra de Deus quanto as transformações da realidade do nosso mundo. O documento reflete a convocação de Lausanne para a Igreja inteira levar o evangelho integral ao mundo inteiro; é moldado pela linguagem do amor - amor pelo o evangelho integral, a Igreja inteira, e o mundo todo. O compromisso tem duas partes: uma confissão de fé e um chamado à ação. 

PARTE I - Pelo Senhor que nós amamos: A Confissão de Fé

As frases de abertura estabelecem a base: “A missão de Deus flui do amor de Deus. A missão do povo de Deus flui do nosso amor a Deus e a todos que Deus ama”.

Os cinco primeiros pontos tratam do nosso amor por Deus mesmo. Nós amamos o Deus vivo, acima de tudo e de todos e com paixão pela sua glória. Nós amamos o Deus trino: Pai, Filho e Espírito Santo. No que diz respeito ao Pai, o Compromisso pede uma renovada valorização da paternidade divina. Em relação ao Filho, destaca o nosso dever de confiar, obedecer e proclamar Cristo. Do Espírito, ele diz: "O nosso engajamento na missão é inútil e infrutífero, sem a presença, orientação e poder do Espírito Santo. (...) Não há evangelho verdadeiro ou integral, e nenhuma missão bíblica autêntica, sem a Pessoa, a obra e o poder do Espírito Santo”.

Os últimos cinco pontos abordam nosso amor pela Palavra, o mundo, o evangelho, as pessoas e missões de Deus.

(a) Reafirmamos nossa submissão à Bíblia como a revelação final de Deus, e afirmamos o nosso amor pela pessoa que a Palavra revela, pela história que ela conta, pela verdade que ensina, e pela vida que ela requer (embora admitindo que muitas vezes confessamos amar a Bíblia sem amar o tipo de vida que ela ensina, uma vida de discipulado prático que custa caro).

(b) Nós amamos o mundo de Deus, tudo o que ele fez e ama. Isso inclui cuidar da criação, amar todos os povos e valorizar a diversidade étnica, esperando ver o evangelho embutido em todas as culturas, amando os pobres e sofredores do mundo, e amando o nosso próximo como amamos a nós mesmos. Isso não significa amar ou ser como “o mundo” (isto é, o mundanismo).

(c) Nós amamos o evangelho - a história que ele conta, a garantia que ele dá, e a transformação que produz.

(d) Nós amamos todo o povo de Deus, reconhecendo que tal amor convoca à unidade, à honestidade e à solidariedade.

(e) Nós amamos a missão de Deus. “Estamos comprometidos com a missão mundial, porque isto é central para o nosso entendimento de Deus, da Bíblia, da Igreja, da história humana e os últimos tempos... A Igreja existe para adorar e glorificar a Deus por toda a eternidade e para participar na missão transformadora de Deus na história. Nossa missão é inteiramente derivada da missão de Deus, tem como alvo toda a criação de Deus, e tem em seu núcleo a vitória redentora da cruz. “Nós somos chamados para a missão integral, que é a proclamação e demonstração do evangelho”.

PARTE II - Pelo mundo a quem servimos: O Chamado à Ação

O Chamado à Ação se baseia nos seis temas do Congresso, ligados às seis exposições da carta de Paulo aos Efésios.

A. O testemunho da verdade de Cristo em um mundo plural e globalizado. O Congresso afirmou a crença em verdade absoluta, e particularmente em Jesus Cristo como a Verdade. Os cristãos, portanto, são chamados a ser pessoas da verdade, para viver e proclamar a verdade. Temos de enfrentar a ameaça do pluralismo relativista pós-moderno com robusta apologética. Devemos promover a verdade no local de trabalho e nos meios de comunicação globais. Devemos aproveitar as artes na missão, promover respostas autenticamente cristãs para as novas tecnologias, e engajar-nos ativamente nas arenas públicas governamentais, empresariais e acadêmicas com a verdade bíblica.

B. A construção da paz de Cristo em nosso mundo partido. Cristo reconciliou aqueles que crêem com Deus e uns com os outros; a unidade do povo de Deus é um fato e um mandamento. A Igreja, portanto, tem a responsabilidade de demonstrar sua reconciliação e se engajar na tarefa bíblica de ser pacificadora em nome de Cristo. Isso inclui levar a verdade e a paz de Cristo para confrontar o racismo, os conflitos da diversidade étnica, a escravidão e o tráfico de seres humanos, a pobreza e a situação de grupos minoritários, como as pessoas com necessidades especiais. Significa, também, que a nossa vocação missionária inclui uma administração responsável da criação de Deus e dos seus recursos.

C. A prática do amor de Cristo em meio às pessoas de outras religiões. Entre nossos “próximos”, estão incluídas pessoas de outras religiões. Temos de aprender a vê-los como próximos e sermos próximos para eles. Buscamos compartilhar a boa notícia através de um evangelismo ético, e rejeitamos o proselitismo indigno. Aceitamos que a nossa comissão inclui o dever de estar disposto a sofrer e morrer por Cristo para alcançar as pessoas de outros credos. Somos chamados a materializar e recomendar o evangelho da graça através de ação de amor, em todas as culturas. Temos de respeitar “a diversidade no discipulado”, e encorajar uns aos outros para exercitar o discernimento cultural. Reconhecemos a diáspora global como estratégica para a evangelização: os povos dispersos podem ser tanto os destinatários quanto os agentes da missão de Cristo. Apesar de estarmos dispostos a sacrificar os nossos próprios direitos pela causa de Cristo, nós nos comprometemos a respeitar e a defender os direitos humanos dos outros, incluindo o direito à liberdade religiosa.

D. Discernimento da vontade de Cristo sobre a evangelização mundial. Seis áreas-chave são identificadas como de importância estratégica para a próxima década: (a) grupos não alcançados e os excluídos; (b) povos de cultura oral; (c) líderes centrados em Cristo; (d) cidades; (e) crianças; todos com (f) oração. O foco em líderes cristãos é para priorizar o discipulado e atingir os problemas decorrentes de “gerações de evangelismo reducionista”. Com isto, as principais prioridades são a tradução da Bíblia, a preparação de Bíblias de histórias orais e outras metodologias orais, bem como a erradicação do analfabetismo bíblico na Igreja. Nas cidades, estão quatro grupos estratégicos: os futuros líderes, migrantes não alcançados, formadores de opinião e da cultura, e os que vivem em extrema pobreza. Todas as crianças estão em risco; as crianças representam tanto um campo missionário como uma força missionária.

E. O chamado à Igreja de Cristo para o retorno à humildade, integridade e simplicidade. A integridade de nossa missão no mundo depende de nossa própria integridade. O Congresso chamou os seguidores de Cristo de volta ao humilde e sacrificial discipulado, à vida simples e à integridade moral. Precisamos ser separados e diferentes do mundo (moralmente). Quatro “idolatrias” foram apontadas: sexualidade desordenada, poder, sucesso e ganância. Discípulos de Cristo devem rejeitar essas coisas. (O evangelho da prosperidade é rejeitado no tópico da “ganância”.)

F. Parceria no corpo de Cristo pela unidade na missão. Paulo nos ensina que a unidade dos cristãos é uma criação de Deus, com base em nossa reconciliação com Deus e uns com os outros. Lamentamos a divisão das nossas igrejas e organizações, porque uma Igreja dividida não tem mensagem para um mundo dividido. Nossa incapacidade de viver em unidade e reconciliação é um dos principais obstáculos à autenticidade e eficácia na missão. Nós nos comprometemos a uma parceria global na missão. Nenhum grupo étnico, nação ou continente pode reivindicar o exclusivo privilégio de ser aquele que completou a Grande Comissão. Dois aspectos específicos da questão da unidade na missão dizem respeito à parceria de mulheres e homens e ao reconhecimento da natureza missionária da educação teológica.

Este resumo foi selecionado e preparado pelo seminarista sul-africano Kevin Smith, em inglês (tradução para o Português da Agência Soma).

Trata-se de um documento de síntese, escrito com a própria linguagem do Compromisso da Cidade do Cabo original, razão pela qual as aspas não são utilizadas para cada frase retirada do documento. Apenas citações mais longas e frases-chave são marcadas por aspas. Este documento serve como um sumário do Compromisso. Para ler o documento na íntegra, acesse a página do Congresso (com as duas partes, mas em inglês) ou baixe, no lugar apropriado ao anexo nesta página de matéria, uma versão em português da primeira parte, a Confissão de Fé.

* Resumo selecionado e preparado pelo seminarista sul-africano Kevin Smith, com tradução para o português de Lenildo Medeiros.

Atualizada: Segunda, 05 Dezembro 2016 11:44