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Código Florestal: Foi apenas uma batalha, a luta continua

A votação sobre o novo Código Florestal suscita algumas discussões muito interessantes e que podem mostrar como a construção de uma democracia é algo que demanda tempo, muita perseverança e, principalmente, só sobrevive com educação plena. O único ponto de concordância entre todos os lados que participaram da discussão: é inegável a necessidade de mudança do novo Código Florestal. Após 60 anos de uso, sua atualização era um anseio de toda a sociedade brasileira. Assim, na quarta, dia 24, o projeto do novo Código Florestal foi à votação na Plenária do Congresso e o que se viu durante as 12 horas de seção foi uma enorme montanha de frases de feito sem qualquer raciocínio lógico, que afrontaram a paciência e os ouvidos de quem estava assistindo pela TV e que nos fizeram pensar no que fizemos com nosso voto.

Veja algumas pérolas que surgiram dos nossos ilustres deputados:

 

- Que o INPE tinha falsificado os dados de desmatamento;

- Que as ONG´s ambientais internacionais estão comprando deputados para votar contra o Código Florestal;

- Ou você vota a favor do Código ou está contra o Brasil;

- Que os ruralistas são a praga do desmatamento do país;

- Que até esta semana eu não sabia nada sobre Código Florestal, então estou aprendendo mais sobre a vida nesta discussão.

 

Enfim, bobagens não faltaram. Ficou claro que o congresso quis dar uma lição no Executivo mostrando que tem força politica, que os ruralistas do mal (que existem e não são poucos) deram um golpe para limpar suas fichas de autuações e que o documento não apresenta condições de resolver os problemas que as questões ambientais trazem para o momento e para o futuro.

 

Assistindo a tudo fiquei desamparado! São poucas almas em nosso Congresso que têm algum apreço pelo futuro de nosso país. A maioria está ali para defender interesses pessoais ou corporativos e há alguns que nem sabem o que estão fazendo lá. Desolador...

 

Em momento algum houve equilíbrio, bom senso, discernimento, sabedoria para que a discussão fosse feita direcionando os interesses importantes para o futuro do Brasil como o agronegócio sustentável, o desenvolvimento da agricultura familiar e a preservação e o uso sustentável de nossas florestas. Políticos coerentes e empreendedores estão em falta em nosso país.

 

Um exemplo de nonsense: A chamada bancada evangélica (junto com a Frente Católica) que usou o microfone para falar da PL-122 e do kit anti-homofobia ameaçando que se o governo não mudasse sua posição iria votar a favor da convocação do Ministro Paloci para depoimento no Congresso (?????). O que isto tinha a ver com o Código Florestal? E pior: sobre o Código não disseram absolutamente nada...

 

No meio disso tudo, as vítimas foram o Código Florestal e o casal de extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo que foram brutalmente assassinados no Pará no mesmo dia (quando isto foi citado na hora da votação, houve vaias, deprimente a falta de solidariedade).

 

Urge que nós cidadãos nos mobilizemos para trazer uma reforma moral e ética em nossa politica.

 

Urge que os cidadãos de bem se unam para mostrar que na democracia o poder é do povo e para o povo, e não para alguns em detrimento de outros.

 

Urge que os cristãos se unam para levar os princípios cristãos de ética, honestidade, verdade e caráter ao Congresso Nacional, luz onde há trevas.

 

A discussão sobre o novo Código ainda não acabou, vai para o Senado onde as discussões serão embates conflituosos e ainda haverá a possibilidade de sanção ou veto da Presidente Dilma. Até lá, tem muita mobilização para que haja alterações que melhorem o documento e muita pressão inversa para que nada se mude.

 

Eu não vou ser expectador, eu vou me mobilizar. E você, o que vai fazer?


* Marcos Franqui Custódio é ambientalista cristão, Químico, Msc. Ciência dos Alimentos.

Atualizada: Terça, 31 Maio 2011 19:39