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Aids: Retrospectiva 30 anos, novas metas mundiais, ação religiosa e oferta de tratamento no Brasil

“Vocês, mais do que qualquer um, podem lutar de forma contundente contra o estigma desta doença. Vocês são ativistas naturais que podem mudar atitudes. Vocês sabem que proteger a vida é tão importante quanto salvar almas”. As palavras, dirigidas a líderes religiosos, são da vice-secretária-geral do programa sobre Aids da Organização das Nações Unidas, Asha-Rose Migiro, em evento paralelo sobre a ação baseada na fé para prevenir o HIV, durante a Reunião de Alto Nível sobre Aids que foi encerrada nesta sexta-feira (10) em Nova York, por ocasião dos 30 anos da descoberta da doença, que, neste tempo, já ceifou mais de 30 milhões de vidas. No final do encontro de oração ecumênico, Asha-Rose sublinhou a importância das vozes dos líderes religiosos no combate à epidemia e pediu aos líderes que espalhem a mensagem para pôr fim à marginalização e deixar claro que suas casas de culto estão abertas a todas as pessoas que lidam com a AIDS.

A Reunião de Alto Nível sobre Aids foi encerrada nesta sexta-feira (10) em Nova York com texto-final que baliza ações dos países-membros da ONU no enfrentamento à doença, que ceifou mais de 30 milhões de vidas desde sua descoberta há 3 décadas. Os países-membros da ONU participantes do encontro aprovaram, na plenária de encerramento, nesta sexta-feira (10), um texto-final cuja construção teve participação do Ministro da Saúde e do secretário de Vigilância em Saúde brasileiros, respectivamente, Alexandre Padilha e Jarbas Barbosa.

 

A comitiva brasileira considerou as seguintes metas como as principais contidas no texto-final:

 

- Eliminação substancial da transmissão vertical (de mãe para filho) até 2015, com mais acesso aos medicamentos pelas crianças e incentivo à realização de pré-natal.

- Redução da transmissão do HIV em 50% até 2015.

- Redução da transmissão do HIV em 50% entre pessoas usuárias de drogas injetáveis até 2015.

- Flexibilidade do acordo TRIPS para promoção de maior acesso a medicamentos (O acordo TRIPS é originário da OMC desde a década de 90. Ele regula a propriedade e a questão de patentes. Com a flexibilidade do acordo, o objetivo é encorajar o uso de novos mecanismos, como as parcerias público-privadas (PPPs) para a produção de medicamentos, especialmente para crianças. Também visa outros mecanismos de inovação, como pool de patentes. Isso barateia o custo e amplia o acesso, devido à possibilidade de maior distribuição).

 

O encontro encerrou com o compromisso dos governos participantes de promover acesso universal à terapia com antirretrovirais e, ainda, oferecer tratamento a 15 milhões de pessoas com aids em países pobres. “Essas medidas ousadas vão acelerar nossos esforços para reduzir a transmissão do HIV”, disse o presidente da Reunião de Alto Nível sobre Aids, Joseph Deiss. O pacto inclui também a redução de mortes por tuberculose em pessoas que vivem com a doença. “Implementar esses compromissos e responsabilidades mútuas são fundamentais”, destacou.

 

Um plano global lançado ainda na quinta-feira (9) pretende eliminar as novas infecções pelo HIV entre as crianças até 2015 e manter vivas as suas mães. A medida visa salvar milhões de vidas em todo o mundo em desenvolvimento. Um progresso significativo foi feito na última década para reduzir a transmissão mãe-filho. Com isso, a taxa de infecção entre crianças nascidas de mães vivendo com HIV diminuiu em 26% de 2001 a 2009, de acordo com o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS).

 

No Brasil, a redução da transmissão do HIV da mãe para o bebê é reflexo da política implementada em 1996. Os resultados podem ser observados na diminuição do número de casos. Em um período de 10 anos – comparando-se 1999 e 2009 – a redução chegou a 44,4%. O aumento da sobrevida de crianças que vivem com aids é outro avanço do programa brasileiro. A probabilidade de as crianças menores de 13 anos estarem vivas após cinco anos do diagnóstico passou de 24% para 86%, entre 1983 e 2007.

 

O Ministério da Saúde disponibiliza gratuitamente 20 antirretrovirais – o que representa investimento de R$ 850 milhões por ano na aquisição dos medicamentos para pessoas com HIV/aids. Atualmente, 210 mil pacientes estão em tratamento.

 

Fontes: ONU e Ministério da Saúde

Atualizada: Segunda, 13 Junho 2011 09:33