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Testemunhar é também respeitar, ouvir e cooperar com outras religiões, recomendam organizações internacionais

Após 5 anos de reflexões conjuntas, a Aliança Evangélica Mundial, o Concílio para o Diálogo Inter-religioso do Vaticano e o Conselho Mundial de Igrejas divulgam nesta terça-feira, 28, em Geneva, na Suíça, um documento para orientar missionários sobre a ética da evangelização. Com o título “Testemunho Cristão em um mundo multi-religioso”, o texto relaciona recomendações de conduta quando no dia a dia da missão cristã. Logo no princípio, são estabelecidas algumas bases. Os representantes das entidades envolvidas na produção do documento afirmam que “fazer missões é parte da própria natureza da igreja”, que “proclamar a Palavra de Deus e dar testemunho para o mundo é essencial para todo cristão”, mas também que “é necessário fazer isto de acordo com os princípios do Evangelho, com verdadeiro respeito e amor por todos os seres humanos”. Conscientes das tensões entre as pessoas e comunidades de diferentes convicções religiosas e variadas interpretações do testemunho cristão, eles buscaram relacionar conselhos práticos, sem pretensões teológicas ou missiológicas.

O objetivo maior foi “encorajar igrejas, concílios eclesiásticos e agências missionárias a refletirem sobre suas práticas atuais” e usar as recomendações do documento para estabelecer, quando necessário, “seus próprios manuais de orientação para seu testemunho e ação missionária entre pessoas de outras religiões e aqueles que não professam qualquer religião”.

 

Entre os conselhos listados no documento, estão:

 

1. Ao testemunhar, fazê-lo “com mansidão e respeito”.

(I Pedro 3:15 - “Antes santificai a Cristo como Senhor, em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós)

2. Juntar à palavra a ação do amor e do serviço, seguindo o modelo de Jesus (João 18:37).

3. O que deve guiar a missão cristã é o exemplo e o ensino de Jesus e da igreja primitiva (Lucas 4:16-20).

4. Com sabedoria, estabelecer diálogo com pessoas de diferentes religiões e culturas (Atos 17:22-28).

5. Saber que “em alguns contextos, viver e proclamar o evangelho é difícil, prejudicial ou mesmo proibido”, mas estar ciente de que os cristãos “são comissionados por Cristo para continuar fielmente, em solidariedade uns com os outros, no seu testemunho” (Mateus 28:19-20, Marcos 16:14-18, Lucas 24:44-48, João 20:21, Atos 1:8).

6. Se alguns cristãos usarem métodos inadequados de missão manipulando, constrangendo ou obrigando as pessoas a fazerem o que não querem, lembrar do arrependimento e de nossa necessidade contínua da graça de Deus (Romanos 3:23).

7. Cristãos devem testemunhar, mas sabendo que a conversão é obra do Espírito Santo. (João 16:7-9; Atos 10:44-47; João 3:8).

 

Também são princípios importantes a serem vivenciados:

 

1. Viver e testemunhar em amor e amar o próximo como a si mesmo (Mateus 22:34-40; João 14:15);

2. Imitar a Cristo, dando glórias a Deus e dependendo do poder do Espírito (João 20:21-23);

3. Integridade, caridade, compaixão e humildade para superar toda a arrogância, condescendência e desprezo (Gálatas 5:22);

4. Servir e praticar a justiça (Miquéias 6:8; Mateus 25:45), sabendo que prover educação, saúde, alívio da dor, e defesa de direitos são partes integrantes do testemunho do Evangelho. Mas sem explorar situações de pobreza e necessidade, pois isso “não tem lugar na abordagem cristã”. Os cristãos devem denunciar tal prática e parar de tentar seduzir com incentivos financeiros e recompensas.

5. Ter discernimento no ministério da cura, mesmo sendo este parte integral do testemunho. Respeitar a dignidade humana e nunca se aproveitar dos vulneráveis e suas necessidades.

6. Rejeitar toda forma de violência, seja psicológica ou social, incluindo o abuso de poder, discriminação injusta ou repressão por qualquer autoridade religiosa ou secular, incluindo a violação ou destruição de locais de culto, símbolos sagrados ou textos.

7. Defender a liberdade de religião e crença. “Liberdade religiosa, incluindo o direito de professar publicamente, praticar, propagar e mudar de religião deriva da própria dignidade da pessoa humana que se baseia na criação de todos os seres humanos à imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1:26). Assim, todos os seres humanos têm direitos e deveres iguais. Onde qualquer religião é instrumentalizada para fins políticos, ou onde a perseguição religiosa ocorre, os cristãos são chamados a participar de um testemunho profético denunciando tais ações”.

8. Respeitar; ouvir; compreender; construir relacionamentos de confiança com pessoas de outras religiões, especialmente no nível institucional; engajar-se no diálogo inter-religioso como parte de seu compromisso cristão, na busca de solução de conflitos e reconciliação; cooperar com outras comunidades religiosas nas ações pelo bem comum e a justiça.

9. Fortalecer a própria identidade religiosa cristã e sua fé, embora estando aberto a conhecer e compreender as diferenças religiosas.

10. Manifestar-se diante dos governantes pela liberdade de crença e religião.

11. Orar pelo próximo e seu bem estar.

 

Leia a seguir a íntegra do documento (faça o download do arquivo “pdf” da versão em inglês do documento na seção de anexos, logo abaixo).

Atualizada: Segunda, 27 Junho 2011 16:46