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Paradoxo do Gênesis: crescer e multiplicar X cuidar do Jardim

  • Por Marcos Custódio
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A Bíblia tem vários paradoxos e isto a faz ser o livro que é (a ação de Deus na história), e permite reflexões sobre quem somos, o que fazemos e como nos relacionamos com sua criação. Em Gênesis 1:28a, pode-se ler: “Deus os abençoou, e lhes disse: “Sejam férteis e multipliquem-se!”. Cumprimos à risca este mandamento. A humanidade está chegando ao número de 7 bilhões de pessoas, sendo que em 2050 seremos aproximadamente 9 bilhões. O primeiro bilhão chegou em 1800, o segundo bilhão em 1930, o terceiro em 1960, o quarto em 1975, o quinto em 1987, o sexto em 2000. Nos últimos 130 anos, nós usufruímos todos os avanços que a ciência trouxe na medicina (antibióticos, vacinas), nos alimentos (melhoramento genético, aumento da produtividade) e nas tecnologias (luz elétrica, carros, informática, internet etc). Apesar dos avanços e controle de natalidade nos países desenvolvidos, a taxa de crescimento em países pobres chega a 3 a 4 filhos por mulher, principalmente nos países muçulmanos. Crescemos e continuaremos a crescer nas próximas décadas nas mais diversas partes do mundo.

Até 2020 seremos quase 2 bilhões de consumidores vorazes por alimentos (principalmente carne e lácteos), novos produtos eletrônicos (smartphones, tablets), carros, viagens, produtos de beleza e tantas outras coisas que o nosso desejo consumista pedir. A humanidade ocupou todos os espaços possíveis do Planeta, usando os recursos naturais, construindo suas casas, erguendo suas cidades e estabelecendo suas culturas (Antártida é a exceção devido às condições extremamente adversas de frio).

 

Dominamos a Terra com nossa ciência, tecnologia e determinação, provamos nossa força dominando uma parte das forças da natureza. Erradicamos doenças, produzimos mais alimentos, encurtamos as distâncias com o avião, trocamos mensagens instantâneas com qualquer pessoa, em qualquer hora, chegamos a Lua.

 

Mas como gerenciar um mundo com 9 bilhões de pessoas onde serão necessárias mais comida para matar a forme, mais água para produzir alimentos e matar a sede, e mais energia para produzir e manter tantas pessoas no planeta?

 

Em Genêsis 2:15 está escrito: “O Senhor Deus colocou o homem no jardim do Éden para cuidar dele e cultivá-lo”. Ao ler este texto surge o paradoxo: Somos convocados a crescer e multiplicar e ao mesmo tempo cuidar e cultivar. O que é mais importante? Infelizmente estamos sendo muito competentes em Gênesis 1:28, mas relapsos em Gênesis 2:15.

 

Conforme o índice de footprint (pegada ecológica) desenvolvido pela organização ambientalista World Wildlife Fund (WWF), atualmente precisaríamos de 3 planetas para manter o ritmo de consumo que temos no mundo (sendo que, atualmente, não chegamos a 1 bilhão de consumidores). Dizendo de outra forma, gastamos anualmente 30 % a mais de recursos naturais do que o planeta pode renovar. Produzimos mais lixo atualmente do que toda história da humanidade (aproximadamente 1Kg/dia por pessoa), tanto que temos dificuldade de encontrar alternativas do que fazer com ele. Apesar de nossa capacidade de produzir carros cada vez mais modernos e potentes, nossa média horária (16 km/h na cidade de São Paulo) é a mesma das carroças de 1900 (e piorando a cada dia).

 

Há uma urgência indiscutível de encontrarmos uma forma de gerenciar nosso crescimento demográfico com qualidade e sustentabilidade (cuidar do jardim). Rever nosso estilo de vida já é um primeiro passo para que possamos entender quais são as ações que devemos fazer. Mas precisamos ir além. Precisamos mobilizar nossas famílias, igrejas, bairros, cidades na construção de políticas públicas eficientes e responsáveis. Cuidar do planeta é uma premissa que existe desde o inicio de nossa história neste planeta. Somos os mordomos, somos os administradores. Foram nos dadas por Deus as condições para crescermos no jardim, mas também foi nos dado o poder e a capacidade de cuidar deste mesmo jardim. Desta forma, quando jogamos metade do esgoto das cidades do Brasil no meio ambiente sem nenhum tipo de tratamento, estamos mostrando nossa falta de compromisso com o cuidado da criação de Deus, pois como disse Paulo: “Todas as coisas foram feitas por Ele e para Ele”.

 

Este paradoxo do Gênesis mostra que devemos, sim, crescer; mas precisamos, sim, cuidar, precisamos ser sustentáveis, precisamos entender que vivemos num mundo com recursos finitos. Precisamos entender que somos mordomos e que o Dono voltará para nos cobrar sobre como administramos os recursos que nos foram confiados.

 

A responsabilidade desta geração é iniciar o processo de harmonia entre Gênesis 1:28 e Gênesis 2:15. Literalmente, é a construção de um mundo novo.

 

Mateus 25:14-29 conta a história de um senhor que deixou talentos (recursos) para seus mordomos de forma que estes cuidassem e os fizessem prosperar. Um dia este senhor voltou para cobrar o que é seu.

 

Quando Jesus voltar, qual o tipo de planeta estaremos entregando a Ele? (Por Marcos Custódio)

Atualizada: Terça, 28 Junho 2011 22:42