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"O mito do crescimento fracassou"

  • Por Renata Éboli de Freitas
  • Publicado em economia
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"O retorno do Filho Pródigo", Rembrandt van Rijn, 1662. "O retorno do Filho Pródigo", Rembrandt van Rijn, 1662.

“Os dias de gastar dinheiro que não temos em coisas das quais não precisamos para impressionar as pessoas com as quais não nos importamos chegaram ao fim” (Tim Jackson). Hoje comecei o dia com o artigo "Temos que abandonar o mito do crescimento econômico infinito", publicado pelo site da BBC Brasil (4 de outubro de 2011). Enfim o bom senso começa a chegar às instâncias do poder econômico. Se pela sensatez em si ou pela constatação irremediável de que vivemos num planeta de recursos finitos, ou ambos, como for.

É preciso capitular! Abrir mão de excessos desnecessários e construir uma vida pessoal sustentável, aquela que podemos gerir diretamente. Não é fácil, nem será, diante de uma sociedade que ainda está longe de se desembaraçar das ilusões que entorpecem a consciência e tornam a realidade difusa. Que nos faz trocar valores por coisas, afetos por aquisições e um sem número de permutas impensadas, feitas automaticamente na ciranda ditada pela sociedade que ajudamos a construir. 

Como o autor do artigo cita, levantar esse questionamento, não só em termos dos mercados globais, mas, na prática pessoal diária de cada um, acrescento, pode ser compreendido como "ato de lunáticos, idealistas e revolucionários". Afinal, a economia é apenas parte de um todo, há um panorama muito maior e mais complexo que reside na lógica do consumismo.

Ser lunático, idealista e revolucionário me parece bem pertinente àqueles que reconheceram na mensagem de Jesus Cristo o poder do Eterno para que a humanidade seja "humana". O que parece ser difícil é que estes que assim se enunciam compreendam e resistam ao apelo do consumismo desbaratado. O que vemos, por muitos, é um incentivo a essa prática intrinsecamente ligada à lógica capitalista. Longe da proposta de mudar o mundo, para melhor, ao enfrentar conjunturas adversas e o "status quo".

Ao caminhar pelo artigo, o espanto maior é ver que o autor conceitua prosperidade muito mais afeito aos ensinos de Jesus do que muitos dos seus seguidores, ao afirmar que ela transcende as preocupações materiais. "Ela reside em nosso amor por nossas famílias, ao apoio de nossos amigos e à força de nossas comunidades, à nossa capacidade de participar totalmente na vida da sociedade, em uma sensação de sentido e razão para nossas vidas", finaliza. Afinal, não deveriam ser os cristãos a afirmar essa verdade, já que há muito sabem que a solução para o homem e a sociedade não é possível por nenhuma política, regime ou economia? Se o crescimento econômico fracassou, eis a genuína Boa Nova. Existe maneira melhor de viver e morrer?

* Por Renata Éboli

Atualizada: Sábado, 21 Novembro 2015 14:14

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