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A história do crime organizado

AR15-Comando-Vermelho-Livro-AmorimA decisão, tomada há alguns meses, por redes de TV e rádio de não pronunciar os nomes de quadrilhas de criminosos, embora acertada, não significa exatamente o fim das atividades destas facções na luta pelo controle do tráfico de drogas nas grandes cidades brasileiras.

Exemplo disso é a atual disputa (talvez encoberta pela mídia pró-governo estadual) entre o CV e o TC pelo tráfico na comunidade da Rocinha, na zona Sul do Rio de Janeiro, dita "pacificada" pela Globo, e que, depois de algumas mortes e conflitos armados, passou a ser chamada pela mesma emissora como "em processo de pacificação".

Assim, num tempo em que a maioria das grandes metrópoles continua convivendo com o trafico de drogas e o crime organizado, fica uma sugestão de leitura ("mais atual do que nunca", segundo a editora Record): "Em Comando Vermelho, livro da trilogia sobre o crime que inclui CV - PCC - A irmandade do crime e Assalto ao poder, o jornalista Carlos Amorim investiga a história e a estrutura de uma das mais importantes facções do tráfico de drogas: o Comando Vermelho. O título, agraciado com o Prêmio Jabuti em 1994 na categoria Reportagem, revela a história dos chefões do Comando Vermelho, o contrabando das armas de guerra, a corrupção policial, as ligações do crime com a política e com os grandes cartéis do tráfico internacional de drogas. A edição conta com prefácio de Domingos Meirelles". O autor, o jornalista Carlos Amorim, mantém um blog com notas e notícias sobre o tema da violência urbana.

Numa entrevista recente divulgada pela própria editora, Amorim comenta as famosas imagens de traficantes do Comando Vermelho em uma fuga em massa, seguida de muitas prisões no Complexo do Alemão, e explica detalhadamente a organização e hierarquia do crime no Brasil. Leia atentamente:

"Esses traficantes que a gente vê na televisão não são o crime organizado. Eles estão no crime organizado. Essas quadrilhas que controlam o tráfico de drogas no varejo são a base da pirâmide do crime organizado, o segmento mais aparente, ao qual a repressão policial-militar se destina, com resultados duvidosos e sacrifícios para o povo pobre. O estado brasileiro tem fracassado mesmo combatendo apenas o estrato mais primitivo do crime organizado, que podemos chamar de quinto escalão. Acima desse segmento estão as organizações criminosas que conhecemos no país: o CV e o PCC; o Terceiro Comando e a ADA; as milícias, como a "Liga da Justiça"; a organização Plataforma Armada, da Bahia; o Comando Vermelho Nordeste e mais dezenas de outros grupos. Esses constituem o quarto escalão e são muito mais difíceis de combater, até porque a maioria das lideranças já está presa e continua comandando os negócios por trás das grades, mobilizando o nivel inferior.

"O terceiro escalão é formado por aqueles criminosos que estabelecem conexões internacionais e até transnacionais, criando redes para trazer e levar drogas e armas, além dos delitos financeiros. É nessa altura que começa a aparecer o dinheiro grosso do crime organizado, que – evidentemente – não fica nas favelas e periferias. Aqui já se pode falar em empresas criminosas. No Brasil, temos dois representantes conhecidos desse tipo: Fernandinho Beira-Mar e João Arcanjo Ribeiro, o Comendador, além de muitos outros pouco conhecidos do grande público. O movimento econômico e financeiro desse estrato só pode ser medido em muitos bilhões de reais a cada ano. Segundo a Polícia Federal, só o CV, na cidade do Rio, vende 90 toneladas de cocaína e 400 de maconha a cada ano, com faturamento entre 800 milhões e um bilhão de reais.

"O segundo escalão é formado pelas grandes organizações criminosas internacionais, que controlam a produção de drogas e a distribuição no atacado. São ao mesmo tempo os traficantes e os contrabandistas de armas de guerra; são os responsáveis pela pirataria de produtos e serviços em larga escala; estão envolvidos com o tráfico de órgãos e de seres humanos; financiam guerras e o terrorismo internacional. Entre essas megaempresas do crime estão as cinco máfias italianas, as tríades do extremo oriente, a máfia russa, as conexões nigerianas e sulafricanas, os fabricantes de drogas sintéticas do cento e do leste da Europa e os cartéis colombianos.

"O primeito escalão é conhecido como "a face oculta do crime". Seus integrantes são conhecidos por suas atividades legais. São respeitados em seus países como cidadãos acima de qualquer suspeita. Seus endereços estão em Washington e Nova Iorque, em Roma e Milão, Berlim e Munique, Xangai e Pequim, Moscou e Praga. Essa gente anda de limosine, nunca pegou em armas. Aliás, suas armas são a caneta e o computador. Mas são eles que gerenciam o crime organizado. Em 2005, o FBI anunciou que as megaempresas criminosas tinham lucro anual de 1,5 trilhão de dólares. A maioria dos especialistas afirma que o dinheiro ilegal em circulação no mundo chega à casa de 3 trilhões de dólares. É maior do que a indústria do petróleo. Como esse dinheiro todo não existe em papel moeda, só pode circular através da contabilidade virtual dos bancos e no sistema de troca de capitais. Portanto..."

Atualizada: Quarta, 26 Novembro 2014 08:45