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Com livro e prêmios de direitos humanos, menina responde a talibãs do Paquistão: "Sou Malala"

Ela levou um tiro a queima-roupa de um grupo talibã quando voltava para casa após a aula, num ônibus escolar, e pensava na prova que teria no dia seguinte. O veículo foi parado numa estrada do Paquistão e alguém perguntou: "Quem é Malala?" Não teve tempo de responder, por causa do tiro que a atingiu na cabeça. Um ano depois de sofrer tamanha violência, Malala Yousafzai responde sem medo, continua a sonhar e mantém a esperança. Não é à toa que ganhou o apelido de "a garota mais corajosa do mundo".

Depois de meses no hospital, na Inglaterra, onde reside atualmente, a corajosa menina está lançando, no mês de outubro de 2013, um livro, "Eu sou Malala", como forma de resposta àquela pergunta do religioso radical talibã que a odiava simplesmente por querer estudar como qualquer outra pessoa.

A história é fascinante e está só começando. De uma adolescente de 16 anos, com aparência frágil, rosto dócil e voz suave, mas que enfrentou os mais cruéis homens de seu país, membros de uma milícia radical talibã violenta que a acusavam de, pasmem, defender que todas as crianças, meninos e meninas, pudessem ir à escola.

malala-dobro-w3Ela continua recebendo ameaças de morte. Seus algozes também a acusam, injustamente, de ter abandonado a religião muçulmana e trabalhar contra o Islã. Mas toda a vulnerabilidade daquela menina, e de sua família simples, segue dando uma resposta pacífica contra a agressividade cruel de radicais insanos. Um exemplo de vida e de força!

Veja uma amostra do livro de Malala.

Malala ganhou também este mês de outubro o renomado Prêmio Sakharov da Liberdade de Consciência e Pensamento, do Parlamento Europeu. Para se ter uma ideia da importãncia do feito, Nelson Mandela, o líder vencedor da luta contra o Apartheid na África do Sul, foi um dos premiados anteriores. O comunicado explica a escolha de Malala: "O Parlamento Europeu saúda a força incrível desta jovem mulher. Malala defendeu com coragem o direito de todos os jovens à educação, pois cerca de 250 milhões de meninas no mundo não podem ir livremente à escola".

Num documentário da BBC no início de outubro, a menina foi elogiada por uma das médicas que cuidou dela na Inglaterra por nunca ter demonstrado amargura ou tristeza durante o tratamento. Malala chegou a ser indicada ao Prêmio Nobel da Paz deste ano, que acabou sendo anunciado para uma organização que combate armas químicas no mundo (em 11/10). A menina disse à CNN, também em outubro, que pretende entrar na política e "chegar, algum dia, a ser primeira-ministra do Paquistão"

Ouça entrevista recente com Malala em podcast da rede britânica de TV BBC - outubro de 2013.

Assista a trechos da entrevista à rede de TV BBC. Ou: a íntegra do documentário da BBC.

Outros trechos da entrevista à BBC e relato (em inglês) dos bastidores do encontro da jornalista com Malala.

Trechos em vídeo e relato da entrevista à CNN, também de outubro de 2013.

Atualizada: Terça, 30 Agosto 2016 13:52