passaporte para fluencia em ingles banner

Associação Brasileira de Mídias Evangélicas realiza simpósio de olho em mais visibilidade para o segmento

O hotel Windsor Guanabara, no Centro do Rio de Janeiro, foi palco, dia 9 de junho, de um simpósio promovido pela Associação Brasileira de Mídias Evangélicas (ABME), cujo palestrante foi o jornalista Jorge Antonio Barros, do jornal O Globo.

Compareceram mais de uma centena de integrantes de órgãos da imprensa evangélica, de todo o país, e personalidades profissionais, políticas e eclesiásticas ligadas às igrejas evangélicas.

Gravadoras e outros grupos evangélicos de comunicação estavam representados no evento em que, dos apoiadores políticos, apenas o deputado federal Arolde de Oliveira (PSD-RJ) compareceu.

Ainda é o primeiro evento de outros que a ABME pretende realizar, conforme seu presidente, Orli Rodrigues. O encontro esteve mais para um ensaio de futuros eventos, nos quais a entidade terá de mostrar mais objetividade na busca de seus ideais. No encerramento do simpósio, Rodrigues conduziu pessoalmente várias citações e homenagens a amigos, parceiros e apoiadores da entidade. No futuro, terá de encostar alguns à parede e cobrar posições e ações mais concretas em defesa dos interesses do setor, ainda tratado apenas como imprensa alternativa.

Palestra do jornalista Jorge Antonio Barros

Membro da Igreja Missionária Evangélica Maranata, no Rio, e jornalista há mais de 30 anos, Jorge Antonio Barros já atuou em alguns dos veículos de comunicação mais destacados do Brasil, estando hoje na coluna de Ancelmo Góis, em O Globo, como editor de mídias sociais, e já faturou dois prêmios Esso. Jorge Barros falou de sua conversão, em 1974, quando a Cruzada Billy Graham veio ao Brasil, e falou também da carreira profissional. Começou no Jornal do Brasil, como estagiário, onde produziu uma reportagem de capa que o marcou. A matéria denunciava as agressões que policiais e agentes prisionais infligiam a detentos do sistema penal fluminense.

O jornalista, que ingressou no jornalismo para influir no modus vivendi da sociedade, encara a profissão com o sentido de missão. Para Barros, um jornalista cristão deve prezar a verdade mais até do que outros profissionais, mesmo quando limitado pelas "verdades de suas instituições", primando pelo jornalismo investigativo como modo de "servir o público e não a interesses privados".

Evangelizar e informar são as funções da mídia evangélica, segundo Barros. O objetivo da imprensa evangélica é alcançar o "melhor do jornalismo" na busca por uma sociedade mais justa. Não é substituir a Justiça ou o Ministério Público, mas contribuir com o restabelecimento da verdade dos fatos "para restaurar a credibilidade da Igreja nos setores que hoje estão bastante céticos", a despeito de a Igreja ter crescido no Brasil, "de forma desorganizada e, muitas vezes, eticamente questionável".

Segundo Jorge Barros, além de profissionalizar e equipar a comunicação evangélica com mais preparo, é preciso deixar de lado a linguagem fechada dos evangélicos e que a produção dos textos comunique de modo a que setores de fora das igrejas entendam e acompanhem as matérias publicadas.

Destaques do evento da ABME no Rio

O simpósio reuniu personalidades denominacionais, como o diretor executivo da Convenção Batista Brasileira, pastor Sócrates Oliveira, e o reverendo Guilhermino Cunha, da Igreja Presbiteriana do Brasil, que com a jubilação nos quadros da IPB, aproveitou para apresentar o Instituto Reverendo Guilhermino Cunha, para a promoção da evangelização, educação, ação social e cultura. O reverendo Marcos Batista, coordenador de desenvolvimento institucional da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) conduziu o momento devocional. O louvor ficou a cargo de cantores da gravadora Águia Mix, Natália Mesquita e Rafael Vaz, e também de Gabriela Asafe.
Pontificando no encontro, o presidente de honra da ABME, reverendo Izaías de Souza Maciel, foi lembrado como homem de fé e empreendedor. O diretor do Jornal Nosso Tempo e presidente da ABME, Orli Rodrigues, apresentou os demais integrantes da diretoria: vice-presidente, Gilton Medeiros; tesoureiro, Paulo Ricardo; diretor executivo, Sandro Genaro. Rodrigues aposta que, no futuro, a associação alcançará a "firmeza financeira para investir em contratações, qualificação, circulação".

Trajetória e objetivos da ABME

A associação foi criada em 2013 para fomentar o desenvolvimento dos associados, aumentar a visibilidade dos evangélicos no país e gerar recursos financeiros para os órgãos componentes por meio de parcerias com governos e agências de propaganda e marketing. Embora recente, a organização tem à frente uma pauta que tanto a desafia a convencer os anunciantes de que vale a pena investir, quanto a brigar por verbas publicitárias do setor público e das grandes empresas. Certamente, terá caminhos a percorrer até ver cada veículo associado revendo condutas acanhadas e viciosas.
Os meios hoje alternativos terão de superar o improviso e provincianismo que impedem os sonhos do profissionalismo e da seriedade empresarial. Em geral, essas empresas são suseranas dos baronatos do feudalismo religioso, ainda presente no meio evangélico. E, para isto, será necessário mediar os diversos interesses dos associados, treinar seu staff na administração de negócios, investir em planejamento e na tecnologia, contratar profissionais de gabarito e habilitar suportes à altura de seus sonhos, além de negociar, em condições mais favoráveis, a distribuição ou emissão dos conteúdos.

Mas, sem sair da sombra dos senhores feudais da comunicação evangélica, as empresas de comunicação do setor não podem almejar um dia ter assento entre os grupos que influem nas relações das instituições com o público. A maioridade do setor acontecerá à proporção de seu distanciamento político-administrativo da tutela dos "barões" da fé.

A jovem ABME pode conter a semente de uma nova mentalidade, mas vai depender principalmente da força de suas ideias e realizações independentes. Seus associados devem ser confrontados com os desafios, pois só assim poderão responder se estão dispostos a reverter o atual quadro de dependência. A entidade, que reúne órgãos de comunicação impressa, eletrônica e digital e comunicadores em geral (são 20 jornais, que totalizam mais de 1 milhão de leitores por mês, 22 rádios, páginas e blogs na internet, entre outros), deve enxergar como, quando e se poderá evoluir. (Por Luciano Vergara)

Atualizada: Sexta, 19 Setembro 2014 15:40

pergunta biblica estudo capa a capa w500