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Dicas de redação para estudantes e profissionais

  • Por Macéias Nunes *
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Qualquer pessoa, no exercício de seu ofício, precisa estar preparado para comunicar-se com facilidade através da palavra escrita, importante ferramenta de comunicação. Também nos concursos, inclusive no vestibular e Enem - Exame Nacional do Ensino Médio, o estudante deve dominar o básico de técnicas de redação pois esta é parte fundamental de sua avaliação.

Saber como estudar para o Enem, concurso ou vestibular qualquer, inclui preparar-se para conseguir fazer uma boa redação. Percebe-se, no entanto, que o manuseio da palavra escrita por parte de alguns acaba deixando muito a desejar. Assim como há pessoas sem o dom da palavra verbalizada – ou, no mínimo, com dificuldades de falar em público -, há também aquelas que sentem uma enorme dificuldade em se expressar por escrito, embora tenham que fazê-lo ou, numa hipótese mais preocupante, se achem aptas para fazê-lo em alto nível. Tal erro de autoavaliação costuma custar caro, pois, ao contrário do papel, que aceita tudo, o leitor com um mínimo de senso crítico acaba rejeitando tudo e abandonando a leitura, caso possa fazê-lo sem prejuízo pessoal. Por tudo isso, a procura por um curso de redação deveria ser um item importante da lista e do planejamento de estudantes e profissionais que pretendem ser bem-sucedidos na busca de seus objetivos.

Em diversos grupos de profissionais (e em turmas de estudantes) encontramos, é verdade, alguns bons escritores. Não é preciso, porém, chegar ao ponto de exigir refinamento literário de um deles. A exigência indispensável é apenas a de que se expressem com clareza, concisão e objetividade, a trindade divina do bom texto, evitando erros primários que acabem por levar os leitores a um juízo negativo.

Quem, por força do ofício ou por qualquer outro motivo, tem acesso aos originais de uma boa parcela de "redatores" em seu local de trabalho ou num concurso, depara-se inevitavelmente com alguns erros que, com um pouco de atenção, poderiam ser evitados sem muito esforço. Normas gramaticais exigem que, no mínimo, quem procura se comunicar por escrito procure fazê-lo sem dificultar a tarefa de seus leitores. Erros de concordância e regência, por exemplo, são muito frequentes.

Outro problema que deveria ser evitado é o uso excessivo do ponto e vírgula nos textos. Os manuais de redação dos melhores veículos de imprensa praticamente baniram esta forma de pontuação. Não que não se possa recorrer a ele em um ou outro momento, mas não proporciona maior clareza ao texto do que o ponto ou a vírgula podem proporcionar. Nessa mesma linha, apelar para o "etc" quando já não se tem o que dizer acaba deixando transparecer isso mesmo - que não se tem nada mais a dizer, mas, ainda assim, se diz que tem – deixando ao leitor a tarefa de saber o que venha a ser.

Outro problema é a pobreza vocabular. Não se trata, evidentemente, de apelar para o beletrismo, usando certas palavras ou expressões, em geral anacrônicas ou deslocadas na argumentação, pelo simples fato de serem "bonitas" ou atribuírem um certo ar de "erudição" ao texto. Ter um vocabulário rico é importante não porque com isso se poderá exibir conhecimento, mas porque quando a necessidade se apresentar, o termo apropriado estará à disposição.

Para ajudar no seu curso de redação

Não é o caso, aqui, de tentar ensinar alguém a escrever bem. O objetivo é muito mais modesto. As sugestões que se seguem são básicas e têm por finalidade fazer com que qualquer profissional ou estudante com dificuldades de se expressar por escrito consiga superá-las e realizar bem o seu trabalho também nesse aspecto.

1) Leia muito e sempre os melhores. O bom escritor é necessariamente um ótimo leitor. Precisa sê-lo, porque o bom escritor é também aquele que escreve como quem lê.

2) Seja econômico. Não diga com dez palavras aquilo que você pode dizer com duas. Frase importante: "Escrever é cortar palavras" (At. Carlos Drummond de Andrade).

3) Procure simplificar. Evite a tentação de usar uma linguagem empolada, buscando atrair atenção para si. O bom escritor é aquele que deixa o texto falar com naturalidade. Paul Valèry (poeta francês): "Entre duas palavras, escolha a mais simples. Entre duas palavras simples, escolha a mais curta".

4) Respeite o leitor. Não diga nada que o leitor não possa inferir por si mesmo a partir do sentido do texto. Não preencha as entrelinhas com informações desnecessárias. Nenhum leitor gosta que se duvide de sua inteligência.

5) Ouça o texto. Por mais formal que seja o texto, ele precisa ter um ritmo, uma fluência e um som. Há palavras que não se encadeiam bem com outras, produzindo cacofonia.

6) Use o gerúndio. Evite o gerundismo, mas use o gerúndio. É uma variação estilística que enriquece o texto.

7) Evite repetições. Sem perceber, acabamos insistindo muito com certos termos. Use sinônimos adequados.

8) Varie no estilo. Evite cansar o leitor com um estilo monocórdio e pouco atraente.

9) Descanse o texto. Se possível, depois de escrever deixe o texto de lado por alguns dias e então faça uma releitura. É uma boa forma de capturar erros ariscos e de pensar se é aquilo mesmo que se quer dizer.

10) Perceba o que está dizendo. Nem sempre pomos no papel aquilo que realmente queremos dizer. Passe um pente fino no texto.

O primeiro dever do escritor é para com o leitor

O escritor só existe porque existe o leitor. Aplica-se, nesse caso, o princípio do empirista George Berkeley no sentido de que ser é ser percebido. Sem o leitor, o escritor permanece como uma abstração que jamais assume forma concreta. Assim, o escritor deve se valer de todos os meios possíveis para conquistar e reter o leitor. É o que fazem os grandes romancistas, quando plantam na primeira frase de um livro de mil páginas uma informação sobre um mistério cujo desvendamento prenderá o leitor até à última página.

Quem escreve deve ter a preocupação de escrever para ser lido – se não com prazer, ao menos sem choro e ranger de dentes. Não se deve pensar que o assunto – seja ele qual for – justifica ou salva um texto mal escrito. Na vida profissional ou em sala de aula, na redação do Enem ou de qualquer concurso vestibular, independentemente do tema em pauta, o texto através do qual ele é desenvolvido precisa ser bem escrito. Boas intenções ou títulos acadêmicos – por numerosos que sejam – não são suficientes para blindar uma comunicação escrita que peca pela forma e que, por isso mesmo, acaba também prejudicando o conteúdo.

* Macéias Nunes é jornalista e um veterano aprendiz de escritor

 

 

Atualizada: Sexta, 23 Outubro 2015 19:34