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Próximo passo: Olimpíadas Rio 2016

  • Por Lenildo Medeiros *
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Olimpíadas Rio 2016 em obras... e o legado? Olimpíadas Rio 2016 em obras... e o legado?

O Rio de Janeiro foi a cidade brasileira que mais recebeu grandes eventos nos últimos anos.

Começando com os Jogos Mundiais Militares em 2011 (antes disto, recebendo os Jogos Pan-Americanos de 2007), refletindo sobre meio ambiente com o mundo e a ONU na Rio+20 em 2012, peregrinando com a visita do Papa Francisco ao Brasil e a Jornada Mundial da Juventude em 2013, festejando a Copa das Confederações da Fifa no mesmo ano, e sofrendo com a Seleção canarinho e sendo uma das sedes da Copa do Mundo em 2014, inclusive com o jogo final (sem o time brasileiro) no Maracanã. Pois bem, neste momento a cidade se volta para as Olimpíadas de 2016. Faltando cerca de 750 dias para o início dos Jogos, e após a nota 9,25 para a Copa do Mundo (dada pelo presidente da Fifa, Joseph Blatter), os organizadores do evento olímpico voltam suas atenções para os preparativos e obras ainda por terminar.

Mas para muitos cariocas, e outros brasileiros, surgem perguntas diante dos desafios e problemas atuais e potenciais, passando pelas várias situações relacionadas ao evento: desde se estão adequados o preparo e o investimento em nossos atletas para não repetirem, em outros esportes, o vexame da Seleção Brasileira de futebol na Copa, até se as questões urbanas estão sendo bem encaminhadas e haverá realmente um legado para a população local após 2016, quando tudo efetivamente voltará ao normal na cidade.

Legado? Qualidade de vida para "inglês" ver...

As palavras do cineasta agredido pela PM dão o tom do que deveria predominar em nossas reflexões sobre estes eventos e seus reais benefícios.

Ao comentar, numa entrevista ao jornal carioca O Dia, a prisão dos PMs suspeitos de agressão e roubo durante o protesto na Praça Saens Pena, próximo ao Maracanã, no domingo da final da Copa, o canadense Jason O'Hara afirmou: "Os investigadores estão de parabéns. Só espero que tenham esse mesmo desempenho ágil que tiveram comigo, um estrangeiro, com todos os cidadãos brasileiros que porventura vierem a ser agredidos injustamente em protestos legítimos".

Certeiro, O'Hara!

Ele se referia ao comportamento da polícia, mas o mesmo raciocínio se aplica a outras áreas, inclusive o transporte coletivo. O cuidado é só com estrangeiros, ou depois que eles se forem, os maus tratos e sofrimentos cotidianos retornam? Tudo é feito só para mostrar uma imagem durante os grandes eventos? E, depois da cerimônia de encerramento, os residentes que voltem a se acostumar com a falta de qualidade de sempre?

Quem mora no Rio já está se acostumando a ver estas discrepâncias na maneira de agir dos prestadores de serviços em épocas de grandes eventos. São tais as diferenças de atitude que até irritam quando alguém compara aquilo com o que ele está habituado a receber em "dias normais". Exemplos podem ser observados numa caminhada pela cidade, nos ônibus, em viagens de avião, no policiamento, na limpeza de algumas áreas da cidade, e em algumas situações com a presença ostensiva e qualificada do Estado e de empresas de serviços, preocupando-se até com alguns detalhes desnecessários (mesmo que deixando rombos enormes em outras áreas muito mais importantes).

Quando viajei de avião durante a Copa, a pontualidade foi britânica, o atendimento, super qualificado, os lanchinhos de bordo reforçados em qualidade e quantidade. Na volta de uma das viagens, resolvi testar o BRT TransCarioca (ônibus em via exclusiva atravessando a cidade): Quanto policiamento! Que disponibilidade de horários de partidas e chegadas! E que disponibilidade dos atendentes para dar informações! Depois, conversando com usuários, percebi que o TransOeste (outro BRT da Barra para os bairros de Santa Cruz e Campo Grande) piorou muito em lotação e número de atrasos no mesmo período. Motivo: muitos ônibus foram remanejados para privilegiar a rota do aeroporto e do caminho do Maracanã!

Obras olímpicas e o reino da fantasia

As autoridades que preparam os Jogos Olímpicos de 2016 dizem estar animadas e minimizam, como fizeram o pessoal da Copa, o atraso das obras. O Parque Olímpico da Barra, por exemplo, está longe de ser concluído. E é o local que vai receber grande partes das competições! O Maracanã vai ser aproveitado com pequenas adaptações. Pudera, o tanto de dinheiro gasto ali para a Copa tinha que ser reaproveitado. Mas, veja você, parece que são poucas as obras para a Copa que também terão bom uso durante os Jogos Olímpicos. E a Baía de Guanabara, será que vai dar tempo de limpar? Ou as competições de vela vão acontecer em meio a, digamos, tudo aquilo que costuma boiar nas águas que separam o Rio de Niterói? E ainda poderia falar da expansão do Metrô até a Barra, do BRT TransOlímpica e tantas outras...

De qualquer forma, é grande o número de pessoas de outros países que devem chegar. Por isso, pra não queimar o filme dos políticos de plantão, no final, eles vão dar um jeito em tudo, maquiar o que não der para ser feito a tempo, esquecer os projetos inacabados (e o dinheiro investido) debaixo de lonas e tapumes, torcendo para ninguém ver nada através dos seus furos... E quando todos forem embora? Bem, aí tudo volta ao normal e haja sofrimento de novo! Por isso, o jeito é questionar e protestar e, entre um e outro, pegar uma carona e curtir o bem-bom feito para os visitantes de outros países, enquanto durar o reino da fantasia. Que venham as Olimpíadas 2016!

* Lenildo Medeiros é pastor e jornalista, editor da Agência Soma.

Última atualização: Segunda, 10 Novembro 2014 16:35