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O melhor presente para o seu pai

  • Por Macéias Nunes *
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Como filho, nunca cheguei a saber coisas do gênero "o melhor presente que um pai gostaria de receber no Dia dos Pais". Meu pai morreu quando eu tinha cinco anos e naquela época, meados da década de 50, o Dia dos Pais era ainda muito recente, instituído no Brasil em 1953, por iniciativa de Roberto Marinho.

No interior de Minas Gerais, com certeza quase ninguém sabia do evento. Prefiro, a propósito, a designação Dia do Pai, usada em Portugal e nos Estados Unidos, porque o termo pais inclui também a mãe, mas, para mal dos pecados, em muitos casos não se pode dizer que "pai só tem um".

Não me importa o fato de que, no final, até certa idade, o pai é quem banca o presente que recebe. Tirante, é óbvio (entendam, por favor, meus eventuais leitores do ramo, que o folclore jornalístico precisa ser lembrado de vez em quando), o fato de que a mãe também pode realizar tal despesa, na realidade não me incomoda nem um pouco este autofinanciamento em nome de minha filha. Ela acha que eu mereço receber um presente e ponto final. Na verdade, para ela não vem ao caso se é ela ou se sou eu quem está pagando. Acima de quaisquer outras considerações, no Dia do Pai, na concepção dela, seu pai precisa receber um presente e isso é tudo.

Quando ela era bebê – hoje é adolescente -, o melhor presente que eu recebia dela através de mim era fazê-la dormir em meus braços, a cabecinha no ombro, ao som do Canon de Pachelbel (que hoje ela toca ao violino) ou do So Far Away – imaginem – dos Dire Straits. Tudo bem baixinho, luz suave e uma dança quase imperceptível, sem sair do lugar, só balançando o torso. Outro presente era contar-lhe historinhas inventadas na hora e, quando percebia, era mais uma história inacabada – mas que ela sempre pedia que eu repetisse nas noites seguintes.

Agora, gosto muito quando ela diz que está juntando dinheiro para me presentear com a biografia de Churchill "no próximo Dia dos Pais". Eu já lhe disse que um ótimo presente seria deixar um pouco de devorar os livros da moda, que todas as coleguinhas leem, e mergulhar em literatura mais séria. Alencar no mínimo. Isso, contudo, só virá por força do currículo escolar. Gostar de ler já é um ótimo presente. Outro é sua facilidade de fazer amigos e cultivar essas amizades. Mais um é seu envolvimento nos trabalhos da igreja e seu senso de compromisso a respeito. E sua capacidade crítica. E sua alegria constante. E mais uma série de coisas – mas aí não será apenas "o melhor presente".

No fundo, o melhor presente é ela mesma.

* Macéias Nunes é pai de Beatriz Elizabeth

 

Última atualização: Quarta, 19 Novembro 2014 18:11