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Anão diplomático

  • Por Macéias Nunes *
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Em resposta à declaração oficial do governo brasileiro de que Israel está usando de força desproporcional – uma regra do futebol inventada pelos comentaristas de arbitragem - no conflito com o Hamas, a chancelaria israelense, através do porta-voz Yigal Palmor, disse que o Brasil, "um gigante cultural e econômico", é um "anão diplomático".

O Ministério do Exterior israelense não apenas respondia à nota oficial, mas ao fato de o Brasil ter chamado "para consultas" seu embaixador em Tel Aviv. Não se sabe até que ponto isso vai afetar de modo negativo as frequentes caravanas de evangélicos brasileiros à Terra Santa, mas o fato é que Brasil e Israel vivem uma crise diplomática real cujos desdobramentos não se pode prever.

O mérito da questão na crise está em se saber se Israel é culpado ou vítima no conflito. O fato é que, sendo ou não uma coisa ou outra, é de se lamentar o número de mortos – quase mil – entre a população civil palestina. Contudo, é de se lamentar igualmente o antissemitismo que vê Israel como um Estado genocida a quem se deve negar o direito básico de defender sua população dos ataques de um grupo terrorista. Caso Israel não tivesse um eficiente sistema antimíssil, além das centenas de palestinos mortos haveria provavelmente centenas de civis israelenses na mesma trágica condição.

Quanto ao fato da diplomacia brasileira do período lulo-petista sofrer de nanismo crônico, não há como deixar de concordar. Desde o tempo do Barão do Rio Branco, a condução da política externa brasileira é elogiada por seu profissionalismo e competência. Nos últimos 12 anos, até para quem não é especialista, a coisa desandou. É só olhar os repetidos fiascos que o país tem protagonizado no cenário internacional no referido período. Não importando quem esteja no comando do Itamaraty ou ditando a ele a linha da política externa nacional, o fato é que o alinhamento brasileiro com o lado errado pelo mundo afora é notório. Não são apenas as declarações desastrosas como as do ex-presidente Lula comparando os presos políticos cubanos a criminosos comuns. Nem apenas o silêncio cúmplice do governo petista – que, na realidade é sinônimo de apoio – diante da violência como política de estado na Venezuela.

É também aquela tentativa de "acordo" com Ahmadinejad na Turquia sobre o programa nuclear iraniano. E a acolhida ao hondurenho Manuel Zelaya na embaixada brasileira em Honduras. E o "asilo" ao Senador Roger Pinto Molina na Embaixada em La Paz, do qual ele saiu como clandestino, do contrário estaria lá até hoje. É Lula chamando o ditador Kadafi de "irmão" – o mesmo tirano que depois acabou linchado pelo povo líbio. E dizendo que as críticas da oposição iraniana às manipulações eleitorais do regime são "choro de perdedor". É o apoio direto, verbal ou implícito a ditaturas reais, como as de Cuba e do Sudão, ou potenciais, como as da Venezuela, da Bolívia e do Equador. É o alinhamento com o antissemitismo internacional, talvez em busca de apoio para tornar-se membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, com a esperança ilusória da adesão maciça dos países árabes.

Nanismo puro. O Barão do Rio Branco e a história do Itamaraty não mereciam isso.

* Macéias Nunes é Jornalista

Última atualização: Sexta, 19 Setembro 2014 15:32