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Cidade compacta, compaixão e felicidade num contexto urbano

Perceber, sentir junto e querer aliviar o sofrimento e a dor do outro. Isto é, grosso modo, o que significa compaixão. E, à medida que este sentimento saudavelmente se espalha pelos corações, numa comunidade que ocupa espaços urbanos compactos, é como se um santo bumerangue retornasse e te ajudasse também, quando você próprio é aquele que grita: Ai! 

Recentemente, foi divulgado um estudo da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp - Universidade de Campinas, no estado de São Paulo, que indica que as características de uma cidade podem afetar as interações humanas decisivamente. Trata-se de uma dissertação de mestrado, escrita pelo arquiteto e urbanista Rodrigo Argenton Freire, que procurou entender a forma urbana da sua região (observando Campinas, Hortolândia e Valinhos). O pesquisador procurou analisar como os níveis de compacidade, cidades compactas, propiciam sustentabilidade urbana e aumentam as interações humanas. O urbanista quis contribuir para "futuras ações de planejamento e desenho urbano". Para ele, cidades compactas aproximam grupos sociais. Favorecem a interação entre jovens, idosos, famílias inteiras e pessoas solteiras.

E eu fiquei pensando que, por consequência, essa compacidade, de fato, aumenta a possibilidade daquele tipo de sentimento positivo, da compaixão, ocorrer num determinado contexto, o bairro ou a rua. Assim como, também, causa em alguns o evidenciamento (criticado) da frieza e da insensibilidade e o aumento dos conflitos entre vizinhos ou motoristas. Na TV, vemos cada vez mais o registro em vídeo desse tipo de briga, na maioria da vezes, por motivos muito pequenos, até banais, coisa que um pouquinho de paciência, capacidade de se colocar no lugar do outro ou de ceder a vez, poderia facilmente evitar.

Como atender às demandas emocionais da população urbana?

É provável que, em alguns anos, os índices de população urbana em países como o Brasil cheguem a 90%. Este cenário impõe a urgência de compreender como os modelos de urbanização podem interferir positiva ou negativamente na qualidade de vida e na busca por felicidade de pessoas e famílias.

O estudo da Unicamp avalia que um processo de desenvolvimento das cidades de forma compacta favorece a sustentabilidade e a vitalidade urbana. No nosso entender, tais conceitos estão diretamente relacionados com resultados na esfera emocional e até espiritual dos indivíduos.

Pois bem, a surpresa é que lugares densamente povoados e com grande variação social e de usos do território (a variedade de usos urbanos relaciona-se com tipos de residências, comércio, serviços, etc) aproximam as pessoas (de menor poder aquisitivo), quebram a rotina mais facilmente e favorecem a vida emocional dos indivíduos. Os grandes condomínios fechados (áreas de baixa diversidade social e baixa densidade), espalhados por áreas gigantescas, com visual monótono, embora se constituam o sonho de muitos por conforto, lazer e outros prazeres, no cotidiano, nem sempre favorecem a manutenção de um equilíbrio emocional e de sentimentos positivos, muito menos o da compaixão. Ao contrário, a postura do "cada um na sua" é a rotina mais observada nestes contextos.

Densidade populacional e diversidade social e de usos do território ocupado são fatores considerados relevantes para tais efeitos na vida urbana. O consenso é que "as formas urbanas com maiores densidades e diversificação de atividades apresentam melhores resultados em termos de sustentabilidade ambiental, econômica e social", vida mais feliz, nas cidades.

Segundo a pesquisa, os municípios estudados, pela legislação e sob os efeitos do mercado imobiliário, com poucas exceções, estão longe do modelo de cidades compactas. Em um âmbito de decisões da macro política, as possibilidades de transformações dependem de posições geográficas e fatores socioeconômicos.

O pesquisador Rodrigo diz que o urbanismo contemporâneo defende a aproximação de todos os tipos de equipamentos das residências, para evitar grandes deslocamentos e concentrar a oferta de serviços. O estudo fez análise das áreas buscando encontrar aquelas com predominância de prédios, casas e condomínios, e aquelas preferencialmente ocupadas por indústrias, comércio e serviços. Também considerou informações como faixa etária, gênero, renda, quantidade de moradores por residência, entre outros.

Interessante ainda perceber a crítica do estudioso à busca de uma alta densidade através da verticalização sem critérios. Para ele, prédios monofuncionais, residenciais ou comerciais, "além de impedirem o convívio social, impossibilitam que os moradores utilizem o entorno para suas necessidades mais imediatas".

"Densidade e diversidade: as dimensões de compacidade urbana"

Leia um resumo mais detalhado da dissertação: "Densidade e diversidade: as dimensões de compacidade urbana", de Rodrigo Argenton Freire (Orientador: Evandro Ziggiatti Monteiro), da Unidade: Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo, publicado no Jornal da Unicamp dos dias 10 a 19 de outubro de 2014. 

Não conseguimos achar o link para a íntegra do estudo. Se você conseguir, tenha compaixão de quem quer ler e compartilhe aí embaixo nos comentários.

Atualizada: Sábado, 15 Outubro 2016 22:42

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