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Dilma, Lula e a improvável lista de mudanças no estilo de governar

  • Por Macéias Nunes *
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Dilma e Lula Divulgação Dilma e Lula

Algumas sugestões de mudanças para evitar a “catastre”.

Reeleita, a presidente Dilma Rousseff fala em mudanças. O discurso deixa claro que nem ela própria aguenta mais o pífio desempenho de seu governo, responsável pela estagnação econômica do país e pelo maior surto de corrupção já visto no Brasil, sem falar da política externa bolivariana e das reiteradas tentativas de controlar a imprensa independente.

1. Acabar com este ridículo “presidenta”. Ou então ser coerente: falar e escrever “gerenta”, “superintendenta”, “videnta” e assim por diante. Desobrigar gente até inteligente da humilhação de usar por instinto de sobrevivência política essa boçal forma de tratamento. Aproveitar e parar com eufemismos do tipo “malfeitos” quando o termo exato é “crimes”. E, de quebra, arranjar sinônimos para o infalível “no que se refere”. Eles existem, por incrível que pareça.

2. Parar com o ainda mais ridículo ”nunca antes na história deste país”. Até porque nunca antes na história deste país a mediocridade, a canalhice e a sem-vergonhice praticadas e estimuladas pela elite governante chegou a tal nível de perfeição como nestes últimos 12 anos.

3. Parar de se eleger e se reeleger através das bolsas-famílias da vida, valendo-se do desespero e da ignorância do povo. Ter um mínimo de decência para reconhecer que programas sociais existem em todos os governos. E fazer o necessário mea culpa sobre a covarde oposição ao programa dos adversários, como o Cheque-Cidadão do governo Garotinho. E reconhecer que um povo dependente é um povo fraco.

4. Pensar antes de falar. Não dizer, por exemplo, que o meio ambiente é um entrave ao desenvolvimento sustentável. Muito menos pregar na ONU o diálogo com quem demonstra não querer ouvir ninguém – mesmo porque corta a garganta dos interlocutores.

Controle social da mídia é censura bolivariana, reforma política via plebiscito é golpe e conselhos populares é o aparelhamento da sociedade

5. Parar de patrocinar e apoiar ditaduras e ditadores mundo afora. Ditadura só é ruim quando é praticada pelos inimigos? De repente, em vez de financiar porto em Cuba, trabalhar pela instalação de uma Comissão da Verdade na ilha dos Castro. E começar a planejar e executar uma política externa séria, considerando que nos últimos doze anos o Brasil fez o papel de bobo da corte da comunidade internacional.

6. Parar de dizer que a inflação a sete por cento(no papel) está sob controle. Em qualquer país decente, inflação acima de dois por cento já é caso de queda do governo.

7. Parar com a demagogia barata e mentirosa de dizer que a elite são os outros. E também que adversário eleitoral vai fazer aquilo que não disse que vai fazer. E reconhecer o estelionato eleitoral que se vai praticando com cara de paisagem e sob e pele de cordeiro do chamado ao diálogo.

8. Parar com esse simulacro de democracia travestido de participação popular. Controle social da mídia é censura bolivariana, reforma política via plebiscito é golpe e conselhos populares é o aparelhamento da sociedade.

9. Parar de aplaudir e fortalecer corrupto preso. Combater na prática a corrupção, em vez de procurar enfraquecer as instituições que lutam pela moralização do país.
Há muito mais. Se, porém, ao menos a presidente começar com o dever de casa, já terá feito muito.

* Macéias Nunes é pastor e jornalista.

 

Última atualização: Quinta, 14 Maio 2015 07:48