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Tragédia ambiental de Mariana leva o Brasil a postar #PrayForMG

  • Por Redação
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Não é pra menos que a frase #PrayForMG (Ore por Minas Gerais) ficou em alta nas redes sociais por tanto tempo no início de novembro. O desmoronamento de duas barragens da Mineradora Samarco, controlada pela Vale "do Rio Doce" e por outra empresa, na região de Mariana, Minas Gerais (5/11/2015), provocou muito sofrimento às famílias do distrito que foi destruído pela lama (Bento Rodrigues) e a todos que dependiam do Rio Doce em todo seu curso até chegar ao estado do Espírito Santo. Algumas pessoas morreram na tragédia. Há pessoas desaparecidas, desabrigadas e as que temem ficar sem água ou sem a possibilidade da pesca profissional ou de subsistência. O rio, como já dizem muitos, pior que só mudar de cor para quase vermelho, parece que também morreu com toda a lama e os rejeitos de minério que nele foram despejados.

A Polícia Federal investiga as responsabilidades criminais. O governo federal multa a empresa por crimes ambientais, mas dizem que R$ 250 milhões foi muito pouco. O prefeito diz que o município não tem atividade econômica diversificada e que não vive sem os impostos e os empregos das mineradoras.

Há quem diga que a questão ideológica está atrapalhando autoridades federais a ter uma visão clara do que fazer primeiro. Isto porque, segundo os que fazem tal acusação, a mineradora que cuida das barragens que causaram toda a destruição é controlada por uma empresa símbolo do programa de privatizações do partido que está hoje na oposição. Mas isso não deve estar acontecendo, porque seria muita mesquinharia política numa hora de dor e sofrimento de milhares de pessoas por causa da tragédia.

Igrejas cristãs e a tragédia de Mariana e do Rio Doce

Algumas igrejas e outras organizações humanitárias tentam ajudar enviando água mineral. Porque a que a Vale enviou de trem, pelas análises das autoridades mineiras, veio misturada com... pasmem!... querosene! O fotógrafo Sebastião Salgado, um dos mais famosos do mundo, que fundou o Instituto Terra, sediado na fazenda onde nasceu na mesma região, diz que, se tiver apoio material, tem como ressuscitar o rio através da recuperação de suas milhares de nascentes.

O pastor Silas Malafaia, líder da Associação Vitória em Cristo, enviou uma carreta com 27 mil litros de água mineral e reclamou indignado com a inércia do Governo Federal, que, segundo ele, nada faz para amenizar a calamidade. A água do Malafaia foi direcionada para ser distribuída pela Igreja evangélica Quadrangular, em Governador Valadares, liderada pelo pastor Flamarion Rolando. Realmente, a prioridade nessas horas de tragédias naturais deve ser atender com urgência as necessidades básicas dos atingidos pela tragédia.

Uma equipe da Igreja Batista, a Cristolândia Minas Gerais, que faz parte da Junta de Missões Nacionais (JMN), prestou socorro aos moradores dos distritos afetados com voluntários que levaram recursos e deram apoio direto para limpar casas invadidas pela lama, entre outras ações.

Outro grupo de evangélicos fez um gesto profético. Jogou água ungida no Rio Doce e orou por um milagre, para que ele seja "curado" da contaminação. Veja aqui o vídeo da oração de evangélicos pentecostais pelo Rio Doce

Nota da Igreja Católica sobre o rompimento da barragem que causou aflição e sofrimento:

Leia a nota da Arquidiocese de Mariana, que começa citando um apropriado versículo bíblico para esta triste ocasião e oferece um roteiro de ações necessárias neste momento. Pelo menos quatro templos católicos (inclusive prédios históricos como a Capelinha de São Bento, do século 18) foram destruídos. Templos evangélicos também sofreram danos.

"Somos atribulados, mas não desanimamos; postos em dificuldade, mas não vencidos; prostrados por terra, mas não aniquilados (cf. 1Cor 4,8s)
"A Arquidiocese de Mariana lamenta profundamente a tragédia ocorrida na tarde desta quinta-feira, 5 de novembro, no Distrito de Bento Rodrigues, neste Município de Mariana, provocada pelo rompimento da barragem de rejeitos Fundão, da empresa Samarco Mineradora, vitimando centenas de pessoas. Manifestamos nossa mais sentida solidariedade às famílias que tiveram suas casas e seus bens destruídos e às que choram a morte de seus entes queridos, vítimas dessa catástrofe de proporções incalculáveis.
"O momento é de unir esforços para minimizar a aflição e o sofrimento de todos os que foram atingidos por essa tragédia. Exortamos nossas comunidades a prestarem sua solidariedade às vítimas, acolhendo-as, doando alimentos e roupas, confortando-as, oferecendo-lhes suas preces. A generosidade de todos será bálsamo a atenuar a aguda dor que toma o coração dos irmãos e irmãs que sofrem com essa terrível catástrofe.
"A apuração das responsabilidades por tamanha tragédia é uma exigência da justiça e condição para que tal situação nunca mais se repita.
"Rogamos a Deus fortalecer e consolar, com seu amor generoso, todos os que foram atingidos por esse acidente. A fé nos aqueça a esperança e nos estimule a solidariedade para diminuir a dor que é de todos os marianenses e que deixa enlutados este município e o Estado de Minas Gerais. Nossa Senhora da Assunção e São José, Padroeiros de nossa Arquidiocese, intercedam por todos nós neste momento de profunda dor e grande sofrimento. (Mariana, 5 de novembro de 2015 - Dom Geraldo Lyrio Rocha - Arcebispo de Mariana)".

CNBB e Cáritas: SOS Mariana

O secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Leonardo Steiner, anunciou a campanha "SOS Tragédia Mariana", em parceria com a ong Cáritas. "É necessário que, nós como Igreja, sejamos generosos e através dessa coleta SOS possamos ir ao encontro desses nossos irmãos e, na medida do possível, aliviar o impacto ambiental”, afirmou o Secretário geral da CNBB.

Ele também falou de endurecer a legislação para proteger o meio ambiente: “Estamos discutindo no Congresso Nacional a questão do Código da Mineração e isso vem mostrar que é preciso endurecer a legislação. É preciso proteger mais o meio ambiente e não visar apenas o lucro (...) A "Encíclica Laudato Si" fala dessa ação humana como dominação, consumismo, depredação e propõe o cultivo e o cuidado. Propõe visar mais a pessoa humana e menos o lucro. Uma tragédia dessas nos abre muito mais os olhos para a importância da Encíclica do Santo Padre”, concluiu Dom Steiner.

Em nota, a Presidência da CNBB lamentou o acontecido em Mariana, MG, exigindo a "rigorosa apuração das responsabilidades" e "mudanças necessárias na legislação quanto à mineração, para que tal situação nunca mais se repita".

Atualizada: Quarta, 18 Novembro 2015 10:59