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Balanço da COP21: uma perspectiva cristã

A luta contra as mudanças climáticas na COP21, conferência da ONU sobre o clima, iniciada em Paris na segunda-feira, 30/11/2015, acontece em paralelo com uma demonstração inequívoca de resistência global contra o terrorismo, através da decisão efetivada pela manutenção do encontro na capital francesa, cidade onde aconteceram, menos de 3 semanas antes, os brutais assassinatos do ataque terrorista, tudo isso reforçado pela presença maciça dos maiores líderes mundiais. Citações a documentos cristãos sobre o meio ambiente foram incluídos em alguns discursos do primeiro dia.

A primeira citação foi feita pelo novo presidente da Cop21, eleito na primeira sessão do encontro, Laurent Fabius, ministro das relações exteriores da França que conduzirá as negociações. Ele falou do compromisso com o meio ambiente manifestado até por líderes espirituais e religiosos.

Líderes religiosos na COP21

A declaração dos líderes religiosos que foi entregue em outubro aos organizadores da COP21. Diz um trecho:

"Nós como líderes religiosos: "estamos juntos para expressar profunda preocupação com as consequências das mudanças climáticas sobre a terra e seu povo, tudo aquilo que foi confiado, como a nossa fé revela, ao nosso cuidado comum. A mudança climática é de fato uma ameaça à vida. A vida é um dom precioso que recebemos e que precisamos cuidar... As nossas convicções religiosas e narrativas cosmológicas nos dizem que esta terra e todo o universo são dons que recebemos, a partir da primavera da vida, de Deus. É nossa obrigação respeitar, proteger e sustentar estes dons por todos os meios. Portanto: a COP21 é o momento certo para traduzir mordomia ecológica em ação climática concreta".

Diz outro comunicado de religiosos, de 2013: "Como representantes da maioria da população mundial que vive com alguma afiliação religiosa e valores, não vamos somente exigir resultados dos líderes mundiais, mas também iremos apoiar os políticos que trabalham no sentido de um acordo climático global ambicioso em Paris e além".

Outra participação de líderes espirituais foi uma petição para os líderes mundiais reunidos na COP21, em Paris, assinada por quase 2 milhões de pessoas de fé, uma iniciativa do Movimento Católico Global pelo Clima, que diz:

"A mudança climática afeta a todos, mas principalmente aos mais pobres e vulneráveis entre nós. Inspirados pelo Papa Francisco e a encíclica Laudato Sí, imploramos que reduzam drasticamente as emissões de carbono para que o aumento da temperatura global não supere o perigoso nível de 1,5° C, e que ajudem os países mais pobres para que resistam aos impactos da mudança climática."

"Como o Papa Francisco bem nos lembra, a mudança climática é uma crise moral profunda e uma questão de justiça para com os pobres e as gerações futuras. É por isso que a comunidade católica está se mobilizando em grande escala para exigir justiça climática, através da coleta de assinaturas desta petição", diz Tomás Insua, Coordenador Global de GCCM, sobre o movimento.

Vários chefes-de-Estado citaram a encíclica Laudato Sí (Louvado Seja, de maio de 2015, do Papa Francisco) que critica a forma como o mundo explora a natureza e diz que o problema é "uma questão moral".

O Conselho Mundial de Igrejas, que acompanha o tema das mudanças climáticas oficialmente na ONU desde 1991, expressou também, em documento oficial, seu compromisso com a "preciosa criação de Deus" e sua esperança de que o evento atingirá seus objetivos e um acordo universal para manter o aquecimento global abaixo dos 2 graus celsius.

De um ponto de vista cristão, o futuro (final) do planeta e da vida humana está nas mãos de Deus. É a dimensão da soberania de Deus, o Criador, Sustentador e Juiz do Universo. Mas há um outro sentido, mais limitado e breve, em que todos, inclusive os cristãos, podemos dizer que é viável mudar o futuro da vida e do planeta, através de ações preventivas presentes.

Em mais uma declaração de líderes religiosos e espirituais para a Conferência das Nações Unidas sobre as alterações climáticas, COP21, esta segunda maneira de ver o problema fica nítida: "Comprometemo-nos a realizar um esforço permanente para aumentar a conscientização sobre os desafios climáticos para as nossas comunidades, como uma expressão de nossas preocupações para a Terra". E os líderes religiosos franceses também se manifestaram na mesma direção: "Apelamos a todos os membros das nossas comunidades para agir com plena consciência dos desafios da COP21, e alterar o seu modo de vida em conformidade".

Qual é o ponto da COP21?

São muitas as descrições possíveis que vêm dos discursos dos chefes-de-Estado (embora muito mais importante seja a prática do que tudo aquilo que se fala). Para o presidente dos EUA, o evento é um "ponto de virada"; para o da China, um "ponto de partida"; para o presidente da França, um "ponto de ruptura"; para o secretário geral da ONU, uma oportunidade única em situação extrema; para a presidente da Alemanha, a necessidade de vivermos de acordo com o que ambicionamos. Mas no geral, os discursos e a apresentação de intenções são os de sempre, espera-se que, desta vez, algo realmente mude para além do jogo político que oculta a ganância de alguns. Diplomatas-negociadores de 200 países e chefes-de-Estado de 150 nações estarão sendo "cobrados" pelas futuras gerações.

Atualizada: Domingo, 21 Fevereiro 2016 12:52