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Projetos para redução de índices de gravidez na adolescência recebem recursos

Ainda que sejam de 2002, dados do Ministério da Saúde que informam que, no país, cerca de 28 mil meninas de 10 a 14 anos, e mais de 300 mil entre 15 e 17 anos, tornaram-se mães, podem dar uma idéia do tamanho do problema. A pesquisa “Gravidez na Adolescência: Estudo Multicêntrico sobre Jovens, Sexualidade e Reprodução no Brasil”, realizada pelas universidades federais da Bahia (UFBA) e do Rio Grande do Sul (UFGRS) e pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), confirmou que a gravidez antecipada é recorrente entre jovens com menor escolarização e baixa renda. Diante de um quadro alarmante assim, o programa Educação e Gravidez na Adolescência, da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad), do Ministério da Educação (MEC), selecionou 11 projetos de um total de 95, que foram enviados por universidades, prefeituras e organizações não-governamentais, para receber cerca de R$ 40 mil para o desenvolvimento, em sala de aula, de atividades destinadas a reduzir os altos índices de gravidez nesta fase ainda inicial da vida. Estudiosos do assunto alertam para a necessidade da análise do contexto sociocultural no qual as adolescentes estão inseridas, trajetória afetiva, desejos e perspectivas. Segundo a especialista em gravidez na adolescência, a psicóloga e pesquisadora Diana Dadoorian, as jovens de classes populares entram em grande número nessas estatísticas porque enxergam na gravidez a realização do seu papel social. Pensam que, por não haver perspectivas profissionais, essa realização está no fato de ser mãe. "É uma mudança de status na vida dessas meninas. Ao se trabalhar a sexualidade no ambiente escolar, outras questões também serão trabalhadas, como a importância do estudo na formação profissional dessas jovens", explica. Os trabalhos selecionados pelo MEC foram divulgados na segunda-feira, dia 4/12, e as principais propostas tratam de formação de professores e produção de material didático sobre gravidez na adolescência. A comissão de análise do Ministério considerou o número e a qualidade dos projetos enviados surpreendentes. "Foram encaminhadas propostas de prefeituras de lugares pequenos e de grupos que não têm acesso à informação", afirmou Maria Rita Toulois, representante do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher do Rio de Janeiro e integrante da comissão. Um dos projetos selecionados, Saúde do Adolescente, é desenvolvido no município de Vargem Grande Paulista, São Paulo, desde 2003. O trabalho é aplicado em oito escolas por meio de oficinas com alunos da sétima e da oitava séries do ensino fundamental e de todo o ensino médio. Responsabilidade e sexualidade são os temas mais discutidos nas dinâmicas de grupo. "Também capacitamos professores para que eles trabalhem temas relacionados à gravidez na adolescência em sala de aula", explicou Marisa Vieira Peixoto Cruz, assistente social e integrante do projeto. Segundo ela, a perspectiva para 2007 é ampliar a iniciativa a todas as 12 escolas do município com recursos do MEC. Além da perspectiva de risco biológico ou social da gravidez na adolescência, o preparo dos professores é o ponto de convergência entre os especialistas. "Os educadores devem ser preparados para trabalhar o tema sem estereótipos e para orientar os jovens sobre o ingresso na vida sexual adulta", afirmou Cristiane Cabral, pesquisadora do Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos.