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Maurício de Sousa e Thalita Rebouças anunciam parceria e pedem ideias a leitores na Bienal do Rio

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No primeiro sábado de Bienal do Livro do Rio de Janeiro, 31/8, participei de um encontro com dois dos autores de maior influência do Brasil: Thalita Rebouças e Maurício de Sousa. Meu objetivo, além de contar aqui um pouco do que aconteceu lá, era observar o comportamento dos leitores da dupla e aprender com o processo de criação deles e suas rotinas de trabalho como escritores.

Quando os dois entraram no auditório Mário de Andrade, foram tratados como se fossem "pop stars". Cerca de 500 admiradoras/es (a maioria de pré-adolescentes e crianças, com seus pais) gritavam, pulavam, tiravam fotos e aplaudiam. Mantinham braços levantados por longo tempo querendo uma chance de falar com seus ídolos-escritores. Alguns mais velhos agradeciam publicamente por eles terem sido o motivo de hoje eles serem leitores. Na ocasião, os escritores confirmaram uma parceria, falaram de seu trabalho e pediram ideias para novos projetos.

Uma leitora sugeriu que Maurício incluísse Thalita como uma personagem da Turma da Mônica. Ele respondeu: é coisa a se pensar, por que não? Thalita se disse honrada se isso acontecer, e reafirmou: "Eu gosto de contar histórias".

Perguntada como se comportaria como mãe, Thalita respondeu que não sabia se seria mãe. "Não é uma prioridade em minha vida agora. Mas se eu for..." e passou a contar que fica chocada ao ver suas leitoras com tão pouca paciência com suas mães, brigando com elas duramente quando estas se atrapalham na hora das fotos das filhas com a escritora... Disse que nessas horas fica do lado das mães.

Ambos foram perguntados: De onde vem a inspiração? Para Thalita, vem da observação e contato com adolescentes. "O barato do trabalho do escritor é misturar realidade com imaginação. Conviver com vocês. Às vezes, uma frase inspira um livro", disse. Maurício foi na mesma linha: "Observação, sensibilidade e juntar com imaginação e competência para escrever".

Sobre o melhor momento ao escrever, responderam que é quando escrevem as primeiras palavras, se sentindo competentes para aquela nova obra. "Aí vai embora", disse a escritora.

Maurício contou que até hoje lê pessoalmente todos os roteiros de revistas. "Fazemos uma revista por dia e tudo passa pela minha supervisão. É um trabalho de equipe. E o importante é não deixar solto. Tudo dá certo se tem os olhos da gente, um pouquinho de sorte e uma boa mensagem", ensinou.

Thalita considera que falar bem do ato da leitura é uma espécie de missão que ela tem. O público de ambos é composto por crianças que aprendem a ler e a gostar de ler com os livros do Maurício e, depois, quando adolescentes, continuam lendo com a Thalita.

Maurício assegurou: "Adolescente que fala que não gosta de ler é porque ainda não deu uma chance aos livros e revistas". Ambos concordaram que "depois que o menino ou a menina pega o hábito, lê até bula de remédio e catálogo telefônico". Os dois escritores contaram ainda que lêem vários livros ao mesmo tempo e costumam ver o programa de debates Sem Censura, apresentado por Leda Nagle na TV Brasil no período da tarde.

Atualizada: Terça, 01 Outubro 2013 22:19