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Ensinar as crianças a importância de descartar o óleo de cozinha corretamente

Toda vez que tomo conhecimento de uma iniciativa como a do projeto Biodiesel em Casa e nas Escolas, do Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (USP), que procura levar estudantes a aprender a descartar óleo de cozinha corretamente, fico pensando como seria bom para todos se o púlpito das igrejas cristãs também contribuísse, de forma direta e explícita, para objetivos como o da preservação do meio ambiente, além daqueles para os quais usualmente é direcionado. Tá certo que igreja não tem know-how para os detalhes de sofisticação científica e tecnológica da tarefa toda, mas, apesar disso, a comunidade cristã é espaço mais que adequado para tal aprendizado, e pode se envolver, fazer parcerias, dar exemplo, levar gente para falar sobre o tema e influenciar pessoas que passarão a agir corretamente no seu dia-a-dia.

No projeto da USP, além das escolas, participam restaurantes, supermercados e indústrias que precisam de certificação ambiental e necessitam dar um destino adequado a seus óleos. O óleo coletado (20.000 litros de óleo de cozinha por mês) é usado em pesquisas de biodiesel. Miguel Dabdoub, coordenador do Laboratório e professor da USP, explica: “pensamos que a melhor forma de entrar nas casas e conscientizar as famílias era por meio das crianças e isso se provou na realidade”.

Todo mês, o projeto arrecada cerca de 20 mil litros de óleo de cozinha usado e conta com a participação de cerca de 25 mil estudantes, em 25 municípios. Ao chegarem numa escola, os integrantes do projeto organizam palestras, em que os estudantes são orientados sobre os problemas que o óleo causa quando descartado incorretamente, como a impermeabilização do leito de rios, poluição da água e morte de animais e plantas. Depois disso, os estudantes são convidados a levar os resíduos do óleo utilizado em suas casas para as escolas, onde são recolhidos pelo programa. Cada vez que um aluno leva uma garrafa de óleo, recebe um cupom para concorrer a prêmios. Quando a escola atinge uma determinada quantidade de óleo coletado, é realizado um sorteio de prêmios aos estudantes. Todo óleo captado é destinado ao Laboratório da USP em amostragens, para ser analisado por graduandos do projeto. Essas análises fazem o controle da qualidade do material coletado de cada estabelecimento participante, que recebe a orientação necessária para o uso do óleo em frituras, evitando assim, problemas típicos da reutilização excessiva do óleo. A melhor forma de descarte do óleo de cozinha usado, para quem não mora perto de postos de coleta, nem participa de programas como esse, é colocar todo o óleo usado, depois de esfriar, em garrafas PET e jogá-lo no lixo comum (orgânico).

O que faz mal é a fritura mal realizada

Os restaurantes são os maiores interessados no resultado da análise do óleo usado. Para Dabdoub, é importante ressaltar que a fritura não faz mal, “sempre digo que a fritura não faz mal, o que faz mal é a fritura mal realizada. É você reutilizar intensivamente e repetidamente o óleo de fritura. Se você elevar muito a temperatura e depois esfriar, ela vai absorvendo ar, absorve oxigênio, forma radicais livres, forma materiais polares. Esses radicais livres são conhecidos como causadores do envelhecimento e do câncer”, conclui.

Outro problema da fritura mal realizada é que ela forma ácido graxo. Junto com os produtos de oxidação desse óleo, os ácidos graxos inibem a ação das enzimas pancreáticas diminuindo a digestividade. “Por isso que as vezes a pessoa come um salgado frito e passa mal, não digere bem. Esse óleo foi usado 15 dias, repetidas vezes num restaurante provocando a formação desses compostos e de gorduras trans, que também diminui a digestividade, aumenta o teor do colesterol ruim, causando problemas arteriais, problemas cardiovasculares. Aí é que a gordura faz mal”, explica o professor.

Para evitar esses problemas das frituras, Dabdoub explica que “se utilizar na sua casa o óleo numa temperatura abaixo de 200 graus [ºC] e reutilizar duas a três vezes no máximo, sem aquecer e resfriar, não vai ter problema com fritura.”.

Mais informações por e-mail.

Com informações e texto (exceto primeiro parágrafo) de: Agência USP - Beatriz Flausino.

Atualizada: Quinta, 19 Agosto 2010 08:48

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