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Mobilidade urbana: o que a Igreja pode fazer e por quê?

  • Por Lenildo Medeiros
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O conceito de mobilidade nas cidades passa, obviamente, por aspectos sociais, políticos, econômicos e ambientais. Mas será que, para além do óbvio, os problemas e desafios relacionados ao tema passam também pela temática religiosa? Será que o povo de Deus no Brasil e em outros países também deve exigir das autoridades governamentais e legislativas as necessárias políticas de transporte público que resultem numa verdadeira e democrática mobilidade urbana? Seria isto parte do papel que os cristãos devem desempenhar na sociedade? Ou o que a igreja cristã tem que fazer é só realizar sua missão evangelística (no sentido básico)? Ou estas duas tarefas citadas não se misturam, nada tendo a ver uma com a outra, e deixemos questões da vida nas metrópoles para os livros de Geografia e as discussões políticas?

Mobilidade atual e família

Um bom começo para encontrar respostas para estas perguntas sobre o tema da circulação de pessoas e veículos pelas vias urbanas é refletir no seguinte: (1) a redução do tempo de viagem de um/a trabalhador/a entre sua casa e o local de trabalho é vital para a família e a igreja. Afinal você passa a ter mais tempo para estar com seus amados/as. (2) Rapidez e segurança no deslocamento para levar o filho à escola deve ser motivo de oração para qualquer pai, mãe ou os avós. (3) Sem falar no grande benefício de haver menos consumo energético e impacto ambiental se as coisas funcionarem melhor nos transportes. (4) Engarrafamentos e ônibus e trens lotados nas cidades causam discussões agressivas entre motoristas e passageiros, chegando até à violência física, e isso rouba a paz e a alegria de milhões de pessoas.

Por definição, mobilidade é o que se tem quando as políticas públicas afetam o sistema de transportes de tal maneira que as pessoas podem circular pelo espaço urbano com mais facilidade, rapidez e qualidade. Quando as ações de governo (planos, metas etc) em relação ao tema são criteriosas, bem fundamentadas e efetivamente executadas, o que resulta, na prática, em acesso amplo, livre, democrático e ecologicamente sustentável da população ao seu direito de ir e vir. 

O significado dessa expressão tem a ver também com a necessidade de dar muito mais prioridade ao transporte coletivo (é preciso reduzir o número de automóveis nas ruas) e ao não motorizado (incentivo ao uso de bicicletas). A bênção da mobilidade urbana é o contrário do caos cotidiano enfrentado pelas pessoas nos ônibus, trens, ruas, túneis e avenidas das grandes cidades contemporâneas, especialmente na América Latina, Ásia e África.

Vida com menos tempo perdido no trânsito

Em outras palavras, este tema afeta a vida das pessoas para o bem ou para o mal. E, sendo dessa forma, também é certo dizer que esta demanda e conscientização/mobilização está incluída na missão da igreja de ajudar pessoas a viverem melhor hoje, acrescentando a isto a eternidade.

Ou seja, como a missão da igreja também trata do hoje na medida do possível, não pode esquecer de como a má qualidade dos transportes públicos e os grandes engarrafamentos na cidade afetam a qualidade emocional de vida das pessoas, individualmente, e de todos os integrantes das famílias, principalmente as crianças que esperam o retorno de um pai ou mãe que passa o dia longe.

A Igreja é agente de Cristo na cidade para favorecer uma vida de paz e equilíbrio interior dos indivíduos, e a manutenção dos recursos naturais da Criação.

Transporte coletivo de qualidade e uso de bicicletas

Há muitas maneiras de um cristão participar e se envolver nesta questão. Ele pode, por exemplo, não se omitir de oferecer boas sugestões para o poder público em espaço adequado que trate do tema. E é sempre bom ter os contatos das autoridades, seja por telefone, twitter, facebook ou outro qualquer para apresentar as ideias e também as críticas e denúncias.

Outra maneira é o ensino no locais de reunião, nas pregações e diálogos durante os estudos bíblicos em pequenos grupos, da defesa e incentivo aos membros da comunidade cristã para que dêem prioridade ao transporte coletivo nas grandes distâncias, e a andar mais à pé ou usar bicicletas nos trajetos menores. Mais saúde, menos poluição, menos engarrafamentos, mais vida social são apenas algumas vantagens de tal atitude.

Mobilidade urbana: direito, conceito, resutados

Você, cristão, que acabou de perceber estas possibilidades, não deixe de trocar informações. Participe ativamente dos fóruns de discussão sobre mobilidade urbana e dê seu testemunho. Esteja atento à qualidade do transporte coletivo, dos meios alternativos, da acessibilidade, do trânsito, enfim, de tudo que diz respeito à qualidade de vida das pessoas que se movem de um lado para o outro na sua cidade.

Mobilidade é assunto de elevada importância no contexto urbano. Procure estar atualizado nestas questões e busque fontes de novas ideias e práticas para uma convivência mais harmônica e inclusiva no espaço das cidades.

A realização de debates sobre o tema dos transportes e a busca da conscientização do direito à mobilidade urbana é outra forma de começar a agir na direção de vencer este desafio com novos modelos viários e inovação em termos de escolha do tipo de veículo utilizado para uma pessoa acessar o destino geográfico que almeja.

Mídia

Prioridade para o transporte coletivo e/ou não-motorizado!
Atualizada: Segunda, 26 Setembro 2016 07:53

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