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Projeto incentiva leitura em penitenciárias paulistas

A Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) está realizando uma ação nas penitenciárias paulistas que pode servir de referência para os capelães cristãos que atuam em presídios de todo o Brasil. Denominado de Projeto Leitura Ativa, a iniciativa consiste na realização de ciclos de leitura, como uma ferramenta de reintegração social dos presos. O objetivo da atividade é proporcionar aos sentenciados os benefícios decorrentes do acesso à leitura. “Além do aumento de vocabulário, a leitura eleva o nível de conhecimento e senso crítico. Também são esperados efeitos terapêuticos, sobretudo quando se trata de população sob regime de privação de liberdade”, explica a professora Evanda Paulino Verri, coordenadora acadêmica da Faculdade de Biblioteconomia e Ciência da Informação (FaBCI) da FESPSP e orientadora do projeto.

Os idealizadores do Leitura Ativa, Durvalino Nascimento Peco, estudante de biblioteconomia, e Wagner Paulo da Silva, bibliotecário, também falam do poder transformador dos livros na vida dos sentenciados. “Nos exemplos e nas situações descritas e vivenciadas pelos personagens literários, eles podem encontrar modelos e exemplos de condutas e ações construtivas a serem espelhadas ou copiadas, na busca de uma vida com melhores expectativas”, explica Durvalino.

 

Do ponto de vista metodológico, o projeto procura despertar o gosto pela leitura a partir do incentivo à reflexão e discussão do conteúdo dos textos, de modo que os participantes apresentem suas idéias e opiniões, com liberdade para criá-las, recriá-las e transmiti-las, associando-as a sua realidade ou a uma realidade que desejam alcançar. Com dezenas de ciclos de leitura, encontros com autores e saraus literários desenvolvidos em 5 diferentes penitenciárias paulistanas, o projeto segue no seu intuito de levar inclusão, reflexão e cidadania aos presídios.

 

Como resultado, o acervo dos centros prisionais que em média registravam 20 empréstimos de livros por mês, passaram a ter mais de 150 requisições mensais. "O aumento do interesse é visível. A participação dos reeducandos é espontânea e está ocorrendo um aumento da sociabilidade, do gosto pelos livros, da concentração nos estudos e da participação em outras atividades desenvolvidas dentro dos centros prisionais", informa Durvalino. O projeto Leitura Ativa segue com suas atividades amparado por fundos da FESPSP.

 

Para implantar suas novas propostas e continuar o trabalho, o projeto necessita do auxílio da iniciativa privada e do poder público. “Queremos chamar a atenção da sociedade para mostrar que o problema da insegurança não se resolve apenas com repressão. É preciso lançar mão de processos educacionais. Nosso foco não está voltado para o acervo em si, mas dirigido para pessoas que fazem uso dela”, finaliza Wagner.

 

A população carcerária brasileira gira em torno de 250 mil internos, só o estado de São Paulo mantém quase 100 mil detentos. Mas, lamentavelmente, para a maior parte das pessoas, inclusive nas igrejas, a questão prisional só vira assunto de interesse quando há rebeliões ou ações de terrorismo, como as praticadas por facções organizadas.

Atualizada: Domingo, 07 Novembro 2010 16:54

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