"Não contem com o fim do livro"

“O e-book não matará o livro — como Gutenberg e sua genial invenção não suprimiram de um dia para o outro o uso dos códices, nem este o comércio dos rolos de papiros ou volumina. Os usos e costumes coexistem e nada nos apetece mais do que alargar o leque dos possíveis. O filme matou o quadro? A televisão o cinema? Boas-vindas então às pranchetas e periféricos de leitura que nos dão acesso, através de uma única tela, à biblioteca universal doravante digitalizada.” No livro "Não contem com o fim do livro", de onde foi tirado o trecho citado, o intelectual Umberto Eco e o roteirista e ensaísta Jean Claude-Carrière, notórios bibliófilos, discutem a história e o futuro dos livros de maneira erudita e bem-humorada. Ao percorrerem cinco mil anos de existência do texto impresso, os autores defendem a imortalidade do objeto livro, apesar dos e-readers e demais avanços tecnológicos. O livro acaba de ser lançado pela Editora Record. Eco e Carrière mostram que IPads e Kindles são apenas uma evolução: as páginas podem não ser mais de papel, mas o livro permanecerá o que é. Diante do desafio representado pela digitalização universal dos escritos e da adoção das novas ferramentas de leitura eletrônica, essa evocação das venturas e desventuras do livro permite relativizar as mutações anunciadas. "Não contem com o fim do livro" é um delicioso e instigante pontapé inicial num debate atualíssimo. Os autores partem da premissa de que é a história dos livros e o amor a eles que os salvarão do desaparecimento. A experiência de bibliófilos, colecionadores de exemplares antigos e raros, pesquisadores e farejadores de incunábulos, os faz considerar o livro, como a roda, uma invenção perfeita e insuperável. O livro é como o martelo, a colher, a roda. Uma vez inventados, não podem ser aprimorados. Designers tentam melhorar seu aspecto, mas sua funcionalidade é inquestionável. O livro aparece aqui como uma instituição sólida, anatômica e funcionalmente adequada que as revoluções tecnológicas, anunciadas ou temidas, não exterminarão. Umberto Eco nasceu em Alexandria, Itália, em 1932. É semiólogo, professor, escritor. Entre suas obras ensaísticas destacam-se: Kant e o ornitorrinco (1997), Sobre a literatura (2002). Entre suas coletâneas, ressaltam-se: Diário mínimo (1963), O segundo diário mínimo (1990), com uma primeira antologia de textos publicados na seção La Bustina di Minerva da revista L’Espresso, Cinco escritos morais (1997) e La Bustina di Minerva (2000). Em 1980 estreou na ficção com O nome da rosa (Prêmio Strega 1981), seguido por O pêndulo de Foucault (1988); A ilha do dia anterior (1994); Baudolino (2000) e A misteriosa chama da rainha Loana (2004). Também é autor de História da beleza (2004) e História da feiura (2007). Jean-Claude Carrière nasceu em 1931, é escritor, dramaturgo e roteirista. Trabalhou com Luis Buñuel e escreveu mais de 80 roteiros. Colaborou por mais de 30 anos com Peter Brook e é autor de pelo menos 30 livros, entre eles Le dictionnaire amoureux du Mexique. Jean-Philippe de Tonnac é ensaista e jornalista, intermediou as entrevistas que compõe este livro. É autor de uma biografia de René Daumal, de livros de entrevista sobre ciência, cultura e religião e de uma enciclopédia de conhecimentos e crenças sobre a morte e a imortalidade.
- NÃO CONTEM COM O FIM DO LIVRO (Nesperes pas vous debarasser des livres) Umberto Eco, Jean-Claude Carrière e Jean-Philippe de Tonnac Grupo Editorial Record/Editora Record 272 páginas Preço: R$ 39,90
Fonte e Texto: Editora Record

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