Juventude cristã unida e comprometida com Jesus: em ação e oração pela justiça

Numa iniciativa capaz de renovar a esperança daqueles que lamentam a maioria consumista e alienada dos que se intitulam "gospel" na igreja brasileira hoje, cerca de 150 jovens cristãos assinaram uma carta-compromisso, aprovada no IV Encontro da Rede Evangélica Nacional de Ação Social (RENAS), em 2009, com suas preocupações principais sistematizadas em temas como: trabalho e geração de renda, comunicação como instrumento de transformação social, a necessária Reforma Urbana, fé no combate à discriminação.

Disseram: "Nós, jovens evangélicos, brasileiros, reunidos por ocasião do IV Encontro da RENAS, nos comprometemos a: Manter Jesus Cristo e seu Evangelho como centro de nossas vidas e base de nossas reflexões e ações;(...) Fomentar e articular o trabalho de transformação social por meio das organizações cristãs, igrejas e entidades juvenis; Orar pela situação social de todas as regiões de nosso país, (...) nossa missão é integral, avivada e transformadora".

Vale a leitura da íntegra deste documento hoje, como exemplo para outras iniciativas semelhantes.

Carta compromisso da RENAS-Jovem

Rio de Janeiro, 29 de agosto de 2009 Nós, jovens evangélicos, brasileiros, reunidos por ocasião do IV Encontro da Rede Evangélica Nacional de Ação Social (RENAS) – uma “ampla rede de relacionamento entre organizações evangélicas que atuam na área social, proporcionando encorajamento, capacitação, articulação, mobilização, troca de experiências, informações, recursos e tecnologia social” – nos comprometemos a: 1º - Manter Jesus Cristo e seu Evangelho como centro de nossas vidas e base de nossas reflexões e ações políticas, sociais, ambientais e culturais; 2º - Afirmar a responsabilidade da juventude como agente de mudanças e transformações sociais para a promoção da justiça, no combate a desigualdade econômica, social, de classe, raça e gênero; 3º - Participar das instancias de decisão e formulação de políticas públicas de/para/com juventude; 4º - Fomentar e articular o trabalho de transformação social por meio das organizações cristãs, igrejas e entidades juvenis; 5º - Orar pela situação social de todas as regiões de nosso país, pedindo que a misericórdia de Deus nos ajude e nos inspire em nossa missão, que é integral, avivada e transformadora; Como resultado deste primeiro encontro, sistematizamos, assim, nossas preocupações no que se refere aos seguintes temas:

Em relação a trabalho e geração de renda, pontuamos: - Que trabalho e geração de renda são ferramentas de promoção da dignidade humana; - O desemprego e a desigualdade de renda são também causas da exclusão social em nosso país; - A igreja necessita pensar e criar alternativas para a geração de trabalho e renda para as comunidades pobres;

Quanto à comunicação como instrumento de transformação social, afirmamos: - Que a comunicação é uma ferramenta fundamental para se trabalhar com os agentes sociais das comunidades; - A necessidade de defender a ética e a verdade como princípios da comunicação; - A importância da ampliação do acesso aos meios de comunicação e a melhor utilização das ferramentas tecnológicas de informação para alcançar os objetivos da missão integral; - Nosso compromisso e engajamento no combate às injustiças, inverdades e manipulações da grande mídia; - A utilidade da comunicação na difusão das políticas públicas; - A importância da comunicação para mostrar alternativas aos estereótipos das comunidades marginalizadas apresentados pela grande mídia;

Sobre a necessária Reforma Urbana, declaramos: - Nosso compromisso na continuação da discussão da Reforma Urbana, promovendo encontros específicos sobre o tema; - Nosso compromisso em elaborar uma cartilha básica com o propósito de capacitar e formar líderes e facilitadores nas igrejas para o processo de reforma urbana; - A necessidade de fomentar articulação e diálogo com diversos atores e movimentos sociais como estratégia de construção da reforma urbana; - A importância de pensar a cidade como um espaço social, tratando o tema da Reforma Urbana como meio de diminuir a segregação social entre morro e asfalto, periferia e centro.

A respeito da nossa fé no combate à discriminação, manifestamos a necessidade de: - Fortalecer a identidade negra e sua valorização na igreja, lembrando o papel de cristãos historicamente relevantes para a igreja brasileira – como o metodista João Cândido, conhecido como o “Almirante Negro”, que liderou a "Revolta da Chibata" exigindo o fim dos castigos corporais para os negros que trabalhavam na Marinha do Brasil no início do século XX, dentre outros; - Resgatar a história da luta da igreja no combate ao racismo; - Fomentar a expressão da diversidade cultural nas diferentes celebrações litúrgicas; - Buscar meios para alcançar, acolher e empoderar todos os que sofrem discriminação por: pobreza, orientação sexual, idade, deficiência, e etnia. - Enfrentar a intolerância religiosa e defender o princípio protestante da Liberdade Religiosa diante do Estado, bem como a não-discriminação por credo; Dessa forma, unidos nestes mesmos objetivos, celebramos nossa comunhão, orando e agindo em prol da consolidação de um setor da Rede Evangélica Nacional de Ação Social (RENAS), protagonizado pelos jovens (RENAS-Jovem).

Atualizada: Terça, 20 Dezembro 2016 08:43

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