Visite a maior mostra de artes do país, que segue até dezembro em SP

Visite a maior mostra de artes do país, que segue até dezembro em SP Andrea Büttner
Não apenas pelas obras de arte que tocam o tema de religião, mas também pelo que tem a transmitir sobre tantos outros temas da vida e pelo prazer estético proporcionado, a visita à 29ª Bienal de São Paulo é recomendada. A exposição, maior mostra de artes do país, termina dia 12 de dezembro. Até lá, você tem a oportunidade de ver, sentir, analisar, criticar e crescer com cerca de 850 obras de artistas de dezenas de países no Pavilhão do Ibirapuera. A mostra tem como tema "as relações entre arte e política e leva o título de "Há sempre um copo de mar para um homem navegar", um verso da obra Invenção de Orfeu (1952), do poeta Jorge de Lima, que sugere que a dimensão utópica da arte está contida nela mesma, e não no que está fora ou além dela".

Sobre religiosidade, tem, por exemplo, a fotografia de Andrew Esiebo, que realiza projetos que "articulam uma abordagem documental com referências estéticas à fotografia do cinema ficcional contemporâneo. Sua obra não visa a observação pura ou distanciada do tema, mas antes a dependência recíproca entre a criação e o envolvimento genuíno com o contexto. Em God Is Alive, Esiebo documenta a dinâmica de vários campos religiosos situados ao longo da via Lagos-Ibadan, na Nigéria, onde a massa de fiéis se reúne para a celebração do Espírito Santo. O artista examina os códigos e os excessos rituais praticados, assim como as estratégias comerciais impulsionadas durante esses encontros. Os cultos noturnos pentecostais, nos quais os fiéis acreditam encontrar solução para seus problemas espirituais e sociais, caracterizam-se, na Redeem Christian Church of God, por louvores, orações e transe. Constituem, ao mesmo tempo, uma oportunidade para fomentar as finanças da igreja, a partir de oferendas diretas ou outros compromissos monetários ali estabelecidos". A foto em destaque traz uma criativa mensagem evangelística para os dias de hoje.

Andrew-EsieboWeb4God is alive [Deus está vivo] • 2006 • fotografia • impressão sobre papel de fibra algodão • 10 fotografias 100 × 150 cm cada

 

Para aproximar ainda mais os visitantes dos conceitos artísticos apresentados, a Bienal de Artes de SP construiu seis espaços de convívio que, além de servirem como pausa antes de seguir-se adiante no percurso da mostra, serão usados para atividades diversas, tais como falas, projeções, performances e leituras.

 

Outros exemplos de expressões artísticas relacionadas à religiosidade vêm de Andrea Büttner, cujo "trabalho interdisciplinar ocupa-se dos pontos de contato entre arte e religião, em especial o modo como ambas podem envolver clausura, culpa e abnegação, e como ambas podem interferir na contemporaneidade, ao autorizarem introspecções e transcendências individuais diante da profusa e estimulante cultura visual corrente. O conjunto de obras expostas na Bienal compila uma seleção de monotipias e gravuras em que cenas da vida de São Francisco de Assis representadas na pintura de Giotto são reconfiguradas em formato pequeno e grande. As impressões integram uma instalação em que são combinadas referências figurativas e ambiência sacralizada. As técnicas artesanais de reprodutibilidade de imagens conferem ao trabalho de Andrea Büttner a desaceleração e o desejo de singularidade que a experiência artística pode devolver à vida. São um ensaio sobre o quão propositivamente anacrônica pode ser a arte contemporânea". Veja, no início da matéria, uma peça de sua obra.

 

Guy Veloso também remete à religiosidade com sua fotografia. "Eventos religiosos e espirituais, como o Círio de Nazaré, no Pará, a festa da Nossa Senhora da Boa Morte, na Bahia, e a peregrinação no caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, já renderam extensas séries. Em Penitentes, o artista apresenta uma seleção de fotografias de rituais de autoflagelação de católicos ortodoxos que acompanhou durante anos em cidades do interior do Ceará. As imagens combinam momentos de sacrifício e dor dos fiéis com momentos lúdicos e de louvação". O trabalho de velozo "nasce de sua discrição em infiltrar-se e cultivar intimidades. Usa equipamento simples, sem recursos de aproximação ou otimização daquilo que seu olho nu pode capturar; reserva às possibilidades do corpo, seus convívios, apegos, erros e divagações, a maior condicionante daquilo que almeja fixar sob a forma de imagem. Em retribuição, o artista conquista naturalidade e espontaneidade dos fotografados, e cria um mapa de cenas que alternam crueza documental, ambiguidade e fantasia".

 

Mais informações para ir à 29ª Bienal de São Paulo

Local: Pavilhão do Ibirapuera - Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº, Parque Ibirapuera, Portão 3,

Quando: Até 12 de dezembro de 2010

Horário de funcionamento: de segunda a quarta, das 9h às 19h; quintas e sextas, das 9h às 22h; sábados e domingos, das 9h às 19h. (entrada permitida até uma hora antes do fechamento)

Entrada gratuita

Telefone: (11) 5576-7600

www.29bienal.org.br

Atualizada: Terça, 26 Outubro 2010 09:07

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