Cármen Lúcia, do STF, em 12 pontos: Religiosa, cristã, católica, não costuma misturar sua fé com a jurisdição

Cármen Lúcia na presidência do STF: os temas religiosos e sobre a família tradicional Cármen Lúcia na presidência do STF: os temas religiosos e sobre a família tradicional

A nova presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), ministra Cármen Lúcia, apresenta, em sua biografia e entrevistas recentes, características de uma religiosidade que valoriza alguns temas que coincidem com aqueles que têm uma consciência social e ética cristã apuradas, mas não mistura as coisas quando os temas dizem respeito a valores familiares caros aos religiosos.

Veja 12 destaques de sua biografia que podem interessar ao leitor cristão

- A ministra Cármen Lúcia disse que sua maior preocupação é com a superpopulação carcerária e a situação das presas grávidas. E que esta é uma prioridade que "vai levar no colo". É idealizadora do projeto Justiça pela Paz em Casa, que visa acelerar processos nos tribunais relacionados a casos de assassinatos de mulheres no País.
- Ex-aluna interna de um colégio de freiras (Sacré-Coeur de Jésus), afirmou ter uma "madre superiora" dentro de si, para ilustrar como é disciplinada.
- Mesmo sendo religiosa e católica, votou a favor da Marcha da Maconha, da união gay e do aborto de anencéfalos, ao contrário do que pensa a maioria dos cristãos. Seus colegas de toga dizem que ela sabe separar bem a sua fé da jurisdição. Sobre como deve ser o comportamento de um juiz em relação a sua fé, afirmou, em seu voto sobre pesquisas com células-tronco: “A Constituição é a nossa Bíblia e o Brasil é nossa religião”.
- Neste julgamento da constitucionalidade das pesquisas com células-tronco embrionárias, o voto da ministra foi a favor de sua continuidade e, embora não explicite argumentos religiosos, é peça de leitura obrigatória para cristãos estudiosos do tema e das questões relacionadas a quando se dá o início da vida: “A utilização de células-tronco embrionárias para pesquisa e, após o seu resultado consolidado, o seu aproveitamento em tratamentos voltados à recuperação da saúde não agridem a dignidade humana, constitucionalmente assegurada. Antes, valoriza-a. O grão tem de morrer para germinar”.
- Mineira de Montes Claros, Cármen Lúcia é próxima do arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo, que foi fator determinante de sua nomeação o fato de ter lecionado Direito Constitucional na PUC-MG (universidade católica).
- Em 2016 com 62 anos (nasceu em 19 de abril de 1954), é a segunda mulher a presidir o STF (a primeira foi Ellen Gracie). Antes, foi a primeira a presidir o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
- Solteira, não tem filhos, gosta de ouvir música erudita e ler. Entre seus livros favoritos o "Crime e Castigo", de Dostoiévski, e "A Divina Comédia", de Dante. Não quer ser chamada de "presidenta", pois como afirmou: foi estudante e é amante da língua portuguesa.
- Vem de uma família com rígida educação, infância passada no interior mineiro (cidade de Espinosa): "Em casa, só não podia mentir, roubar e ter preguiça".
- Austera, não usa o carro oficial nem as diárias de viagens a que tem direito (ela mesma dirige seu Astra até o tribunal) e mora num apartamento funcional. Votou pela prisão de políticos envolvidos em escândalos de corrupção e demonstrou até aqui rigor no combate a questões relacionadas a esta chaga brasileira.
- Dentre os conteúdos mencionados em seu currículo, dois foram palestras pronunciadas no Congresso Brasileiro de Direito de Família, do Instituto Brasileiro de Direito de Família, em Belo Horizonte: “Do berço à velhice: a dignidade com o outro” (V edição, 2005) e “Direito Constitucional de Família”, (VII edição, 2009).
- Foi indicada ao STF pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, PT, em 2006.
- Quando votou contra a lei que autorizava pacientes a usar a "pílula do câncer" (maio/16), a ministra justificou que faltavam estudos para demonstrar a eficácia ou efeitos adversos do medicamento. Mas comentou: "A dor tem pressa, o desengano impõe uma demanda urgente, leva até o desespero. Quando a pessoa está no desengano, ela busca qualquer coisa, eu também buscaria(...) O câncer tem um peso pelo nome, a palavra é tão pesada, tão estigmatizada, que por ela já leva ao desengano, e leva ao sofrimento não só uma pessoa, às vezes muito mais quem está perto e que queria se colocar no lugar do outro e não pode. E a vida não é assim".

Fontes: Folha de S.PauloWikipédiaAgência Brasil, Currículo divulgado pelo STFG1Consultor Jurídico, Células-Tronco.

Atualizada: Segunda, 12 Setembro 2016 10:20

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