A missão da igreja não começa no outro lado do mundo; ela começa na calçada da sua rua. Longe de ser apenas uma estratégia de evangelismo, missões urbanas envolvem encarar a dor, a pobreza e a solidão das grandes cidades com ações concretas de transformação social e espiritual.
Na Bíblia, este chamado é feito por Jesus a todos os discípulos, sem exceção. Ele diz: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Evangelho de Marcos 16.15). E em Atos 1.8, a fonte de poder para o testemunho e a ordem de prioridades são estabelecidas:
“Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra”.
Veja o que mais diz a Bíblia sobre missões no contexto urbano
Sobre o escopo da missão, Jesus nos orienta:
“assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós” (Evangelho de João 20.17).
Ou seja, os discípulos são chamados a abençoar vidas. Veja alguns dos objetivos do Pai ao enviar Jesus de acordo com esta profecia de Isaías a seguir, que, segundo os teólogos, aponta para o seu Servo que estaria por vir:
“O espírito do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; a apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes; a ordenar acerca dos tristes de Sião que se lhes dê glória em vez de cinza, óleo de gozo em vez de tristeza, vestes de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem árvores de justiça, plantações do Senhor, para que ele seja glorificado” (Isaías 61:1-3).
Assim, os discípulos são chamados a cuidar de pessoas, oferecendo a elas a bênção maior da vida eterna, conscientes de que tal período começa aqui mesmo na terra, com o máximo possível de paz, saúde, alegria, felicidade, harmonia, e se estendendo para a vida no céu, após a morte, onde tudo se completa perfeitamente.
Os beneficiados pelas ações missionárias cristãs são, especialmente, aqueles da sua família e da sua igreja, os “domésticos da fé”, mas também, e com a mesma intensidade, TODAS as pessoas, começando pelos que vivem no mesmo bairro e na mesma cidade que ele.
O âmbito da missão cristã na cidade
Para ser uma bênção na vida dos seus conterrâneos, especialmente num contexto urbano, deve-se levar em conta que a pregação do evangelho e o cuidado emocional são, de fato, indispensáveis, além de prioritários. Só que estas ações, como muitos já sabem, quando se fala de “abençoar vidas”, são indissociáveis de outras, aquelas relacionadas a questões sociais e econômicas.
A exclusão social, a execução orçamentária na área, a eficácia dos gastos públicos, enfim, indicadores e temas como: expectativa de vida, renda, desemprego, educação, saúde, saneamento básico, habitação, entre outros, são fundamentais para uma pessoa e sua família serem felizes.
O cristão deve estar atento, entre outras questões, consideradas mais “espirituais” (embora não seja bem assim a distinção que se deva fazer), mas deve prestar atenção à proporção de pobres em relação à população total do seu bairro ou cidade, e ter uma atenção especial no cuidado destes, e mais ainda com os indigentes, grupo que infelizmente nem sempre é tão pequeno quanto se imagina.
Milhões de brasileiros ainda vivem hoje na miséria, com renda mensal inferior a R$ 80 por mês. Existe na sociedade brasileira grave concentração de renda, aparecendo o Sul e o Sudeste ricos e as regiões Norte e Nordeste com concentração de miséria e pobreza.
A Igreja deve estar atenta a estes números e exercer sua responsabilidade de fazer missões urbanas para superar tais desafios sociais, econômicos e espirituais.
