O que é espiritualidade cristã? Entenda o que significa viver guiado pelo Espírito Santo

Espiritualidade cristã não é misticismo, sentimentalismo ou simples prática religiosa. É viver buscando diariamente permitir ser guiado pelo Espírito Santo, moldado pela Palavra de Deus e tentando ser cada vez mais parecido com Jesus.

4 situações da vida comum vivenciadas por pessoas que buscam crescimento espiritual em situacoes normais da jornada.

A espiritualidade cristã é mais do que sentir a presença de Deus em um culto, está além de seguir regras religiosas ou ter experiências emocionantes. É viver todos os dias debaixo da direção do Espírito Santo, segundo a Palavra de Deus e com os olhos voltados para Jesus.

Mas o que significa, na prática, ter uma vida espiritual?

Para alguns, espiritualidade cristã parece algo reservado a pessoas que passam muitas horas orando, jejuando, lendo a Bíblia ou participando de atividades na igreja. Para outros, a palavra está associada a experiências sobrenaturais, sentimentos intensos ou momentos de profunda emoção.

A Bíblia apresenta um caminho mais equilibrado, que pode incluir ambos descritos acima, mas vai além.

A verdadeira espiritualidade cristã envolve conhecer a Deus por meio de sua Palavra, confiar em Cristo, depender do Espírito Santo, crescer em santidade e viver de modo que Deus seja glorificado em todas as áreas da vida.

Em outras palavras, espiritualidade cristã não é fugir da vida comum. É aprender a viver essa mesma vida comum, mas de uma maneira que agrade a Deus.

O que significa espiritualidade cristã?

Espiritualidade cristã é a maneira como a fé em Jesus Cristo se manifesta na vida diária.

Ela começa com o relacionamento com Deus por meio de Cristo e é conduzida pelo Espírito Santo, que habita no cristão. Esse relacionamento é alimentado pela Palavra de Deus, pela oração e pela comunhão com outros cristãos.

Por isso, espiritualidade não deve ser confundida simplesmente com religiosidade.

Uma pessoa pode frequentar muitos cultos, conhecer muitos hinos, participar de departamentos da igreja e até falar bastante sobre Deus sem necessariamente estar vivendo uma vida de verdadeira comunhão com Ele.

Jesus advertiu justamente contra uma religiosidade que permanece apenas na aparência. O cristianismo bíblico alcança o coração e, a partir dele, transforma a maneira como vivemos.

Paulo resume esse princípio ao dizer:

“E todos nós, com o rosto descoberto, contemplando a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem.” (2 Coríntios 3:18)

O objetivo da espiritualidade cristã, portanto, não é simplesmente produzir experiências religiosas. É ser transformado para parecer cada vez mais com Cristo.

1. Espiritualidade cristã é relacionamento baseado na Palavra

A primeira marca da verdadeira espiritualidade cristã é que ela está fundamentada na verdade revelada por Deus.

A Bíblia é âncora da nossa espiritualidade

O cristão não precisa procurar uma nova revelação para descobrir quem Deus é.

Deus já se revelou nas Escrituras. A Bíblia apresenta quem Ele é, o que fez, o que quer de nós e qual o caminho da salvação.

Por isso, a espiritualidade cristã não começa perguntando: “O que estou sentindo?”

Ela começa perguntando: “O que Deus revelou em sua Palavra?”

Isso faz uma grande diferença. Sentimentos podem mudar. Experiências podem ser interpretadas de maneira equivocada. Nossas impressões pessoais podem nos enganar.

A Palavra de Deus, porém, permanece.

Isso não significa que o cristão deva ser frio ou indiferente. Pelo contrário. A verdade bíblica deve alcançar tanto a mente quanto o coração.

A fé envolve coração e mente

Existe uma falsa oposição entre razão e espiritualidade.

Como se uma pessoa precisasse escolher entre conhecer a Bíblia profundamente e ter uma vida de devoção.

A Bíblia não apresenta essa escolha.

Jesus ensinou que devemos amar a Deus de todo o coração, de toda a alma e de todo o entendimento.

Uma fé que pensa e uma fé que ama não são inimigas.

Conhecer melhor a Deus deve produzir maior amor por Deus.

Por isso, estudar teologia não deveria nos tornar pessoas orgulhosas, frias ou distantes. O conhecimento correto de Deus deve produzir adoração, humildade, obediência e santidade.

Espiritualidade cristã não é abandonar a mente para buscar arrepios. É permitir que a verdade de Deus governe a mente, alcance o coração e transforme a vida.

2. Espiritualidade cristã é o fruto do Espírito na prática diária

Uma das melhores maneiras de saber se nossa vida espiritual está crescendo é observar aquilo que está sendo produzido em nosso caráter.

Paulo apresenta o conhecido fruto do Espírito em Gálatas 5:

“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio.”

Observe que Paulo fala de fruto. Ou seja, a presença e a atuação do Espírito Santo produzem mudanças concretas na vida do cristão.

Santidade no cotidiano

Ser espiritual não significa simplesmente saber falar sobre assuntos espirituais. Significa aprender a viver de maneira santa quando ninguém está olhando. A espiritualidade cristã aparece:

  • na maneira como tratamos nossos pais;
  • na honestidade no trabalho;
  • na maneira como gastamos nosso dinheiro;
  • na maneira como tratamos nosso cônjuge;
  • na educação dos nossos filhos;
  • no uso que fazemos da internet;
  • naquilo que assistimos e consumimos;
  • na maneira como reagimos quando somos contrariados;
  • na disposição para perdoar;
  • na maneira como tratamos quem não pode nos oferecer nada em troca.

É muito fácil parecer espiritual dentro da igreja. O verdadeiro teste acontece quando voltamos para casa.

Espiritualidade não é quantidade de atividades religiosas

Participar da igreja local regularmente é importante. Servir é importante. Orar é importante. Ler a Bíblia é importante. Mas essas coisas não devem ser usadas como substitutos de uma vida transformada.

É possível estar ocupado com atividades religiosas e continuar alimentando orgulho, amargura, inveja, mentira ou falta de domínio próprio.

A espiritualidade bíblica não pode ser medida apenas pelo número de horas que passamos dentro de um templo. Ela também pode ser percebida naquilo que fazemos quando saímos dele e estamos em outro tipo de ambiente.

3. Espiritualidade cristã é vida de dependência e comunhão

Existe outro aspecto fundamental: ninguém desenvolve uma vida espiritual saudável vivendo como se pudesse caminhar sozinho. O cristão precisa aprender a depender de Deus e viver em comunhão com o corpo de Cristo.

O básico da vida cristã

Às vezes procuramos métodos sofisticados para crescer espiritualmente quando negligenciamos aquilo que Deus já colocou diante de nós.

A vida cristã saudável passa pelo básico: oração, Palavra de Deus e comunhão com a igreja. Não há nada de espetacular nessas práticas. E justamente aí está uma das grandes lições.

A maturidade espiritual normalmente é construída no cotidiano.

  • É abrir a Bíblia mesmo quando não estamos especialmente emocionados.
  • É orar mesmo quando não encontramos palavras bonitas.
  • É congregar mesmo quando não estamos com vontade.
  • É confessar nossos pecados.
  • É pedir perdão.
  • É ouvir a Palavra.
  • É obedecer.
  • É voltar a fazer tudo isso no dia seguinte.

O Espírito Santo não é um detalhe da vida cristã

Precisamos tomar cuidado para não transformar as disciplinas espirituais em simples esforço humano. Não oramos, lemos a Bíblia e obedecemos para conquistar o favor de Deus.

Em Cristo, somos alcançados pela graça. É justamente essa graça que nos ensina a viver de maneira santa.

O Espírito Santo habita no cristão e atua nele, capacitando-o a compreender a verdade, vencer o pecado, desenvolver o caráter cristão e viver em obediência a Deus.

Por isso, espiritualidade cristã não é dizer: “Eu vou me esforçar bastante para conseguir chegar até Deus.” É afirmar outra coisa: “Porque Deus me alcançou em Cristo, quero viver na dependência dele e obedecer à sua Palavra. É como vou responder com gratidão ao que fez por mim”.

Essa diferença é fundamental.

4. Espiritualidade cristã é ter Deus como o centro

Talvez aqui esteja uma das diferenças mais importantes entre a espiritualidade bíblica e muitas versões de espiritualidade encontradas atualmente.

A espiritualidade contemporânea frequentemente pergunta: “O que Deus pode fazer por mim?” A Bíblia nos ensina a fazer uma pergunta diferente: “Como posso viver para a glória de Deus?”

Isso não significa que Deus não se importe conosco. Ele se importa profundamente. O evangelho demonstra isso de maneira incomparável.

Mas Deus não existe para ocupar o lugar de um instrumento para realizarmos nossos projetos pessoais. Nós existimos para a glória dele. Paulo escreveu:

“Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.” (1 Coríntios 10:31)

Observe a expressão: “façais outra coisa qualquer”. Isso amplia enormemente nossa compreensão de espiritualidade.

Comer pode glorificar a Deus.

  • Trabalhar pode glorificar a Deus.
  • Criar filhos pode glorificar a Deus.
  • Administrar dinheiro pode glorificar a Deus.
  • Estudar pode glorificar a Deus.
  • Descansar pode glorificar a Deus.
  • Conversar com alguém pode glorificar a Deus.

A vida inteira pode se tornar uma expressão de nossa devoção ao Senhor.

Não é viver de aparência…

Uma das maiores tentações da religião é confundir aparência com realidade. Podemos aprender a falar como cristãos, cantar como cristãos e nos comportar como cristãos em determinados ambientes sem permitir que o evangelho transforme profundamente nosso caráter.

Jesus enfrentou esse problema diversas vezes. Ele condenou uma religiosidade preocupada com a aparência exterior enquanto o coração permanecia distante de Deus.

A espiritualidade cristã verdadeira começa no interior, mas nunca permanece somente no interior. Aquilo que Deus transforma dentro de nós começa a aparecer fora de nós.

  • O coração transformado produz novas atitudes.
  • A fé produz obras.
  • O amor a Deus produz amor ao próximo.
  • A compreensão da graça produz humildade.
  • A consciência do perdão recebido produz disposição para perdoar.
  • A esperança da eternidade muda a maneira como enfrentamos os problemas desta vida.

Como saber se estou crescendo espiritualmente?

Essa é uma pergunta importante. Em vez de medir nossa espiritualidade apenas pelas experiências que tivemos, podemos observar alguns sinais. Pergunte a si mesmo:

  • Estou conhecendo melhor a Palavra de Deus?
  • Meu pecado tem me incomodado mais ou menos?
  • Tenho crescido em amor pelas pessoas?
  • Estou aprendendo a controlar minhas palavras e reações?
  • Tenho buscado a Deus em oração?
  • Tenho aprendido a obedecer mesmo quando não tenho vontade?
  • Minha vida em casa confirma aquilo que demonstro na igreja?
  • Estou mais parecido com Cristo do que estava há alguns anos?

Essas perguntas não servem para produzir desespero ou uma espécie de contabilidade espiritual. Elas servem para nos ajudar a perceber se estamos caminhando na direção certa.

Crescimento espiritual não significa perfeição. O cristão ainda tropeça, ainda luta contra o pecado e ainda precisa se arrepender.

Mas existe uma direção. Existe desejo de santidade. Existe arrependimento. Existe dependência da graça. Existe transformação.

As disciplinas espirituais ajudam no crescimento

Uma vida espiritual saudável não acontece por acidente. Precisamos cultivar hábitos que nos mantenham próximos da Palavra e atentos à vontade de Deus. Entre essas práticas estão:

Leitura e meditação na Bíblia

Não se trata apenas de ler muitos capítulos por dia para cumprir meta. É importante ler procurando compreender e internalizar o texto, conhecer a Deus naquilo que ele permite ao se revelar, e pensar como a Palavra deve orientar a vida na prática.

Oração

Orar é falar com Deus com sinceridade. Não precisamos utilizar palavras complicadas. Podemos confessar pecados, agradecer, pedir sabedoria, apresentar nossas necessidades e interceder por outras pessoas.

Comunhão na igreja local

O cristianismo bíblico não foi planejado para ser vivido isoladamente. Precisamos da pregação da Palavra, da comunhão, da correção, do encorajamento e do serviço cristão.

Confissão e arrependimento

Uma espiritualidade saudável não tenta esconder o pecado. Ela o leva para a luz. O cristão não precisa fingir que é perfeito. Precisa aprender a reconhecer seus pecados e voltar-se para Deus em arrependimento.

Serviço

Deus não nos chamou apenas para receber. Ele também nos chamou para servir. Servir na igreja, ajudar pessoas, cuidar da família, trabalhar honestamente e usar nossos dons para o bem do próximo são formas concretas de viver a fé.

Espiritualidade cristã é viver hoje com os olhos na eternidade

Existe uma dimensão da espiritualidade cristã que não podemos esquecer: a eternidade. O cristão vive neste mundo, mas sabe que este mundo não é seu destino final. Essa esperança muda a maneira como enxergamos sofrimento, dinheiro, sucesso, fracasso, envelhecimento e até a morte.

Não significa desprezar a vida presente. Significa colocá-la no lugar certo.

Trabalhamos, amamos, criamos nossos filhos, construímos projetos, servimos pessoas e desfrutamos das boas dádivas de Deus. Mas fazemos tudo isso sabendo que existe algo maior.

Nossa esperança final não está nas circunstâncias desta vida.

Está em Cristo.

Por isso, crescer espiritualmente é aprender a viver a vida comum deste mundo com os olhos fixos na eternidade.

Afinal, o que é espiritualidade cristã?

Podemos resumir tudo isso de maneira simples:

Espiritualidade cristã é viver diariamente em comunhão com Deus, debaixo da autoridade da Palavra, em dependência do Espírito Santo e com o propósito de nos tornarmos cada vez mais parecidos com Jesus Cristo.

  • Não é misticismo.
  • Não é sentimentalismo.
  • Não é uma coleção de regras religiosas.
  • Não é uma corrida atrás de experiências extraordinárias.
  • Também não é simplesmente frequentar a igreja.
  • É uma vida inteira colocada diante de Deus.
  • É levar Cristo para dentro de casa, do trabalho, dos relacionamentos, das decisões, das finanças, dos pensamentos e das escolhas que ninguém mais vê.

No fim, talvez a pergunta mais importante não seja: “Quão espiritual eu pareço?” Bem mais relevante é questionar-se: “Jesus está sendo visto em minha maneira de viver?”

Essa é uma boa medida para nossa caminhada. Porque a verdadeira espiritualidade cristã não chama atenção para o cristão. Ela aponta para Cristo. Quanto mais o Espírito Santo trabalha em nós, mais aprendemos a dizer:

“Convém que ele cresça e que eu diminua.” (João 3:30)

11 Desafios à Espiritualidade Cristã (e as 6 formas de superá-los)

Uma obra que vale a pena ler é o livro do pastor Ricardo Barbosa, “O Caminho do Coração”, publicado, em 2004, pela editora Encontro Publicações, com o subtítulo “Ensaios sobre a trindade e a espiritualidade cristã“. Em 2017, reeditado pela Editora Ultimato, com algumas mudanças, inclusive, na chamada de capa, que passou a ser: “O Sentido da Espiritualidade Cristã”.

A obra lança um desafio aos cristãos: “buscarmos uma espiritualidade que nasce em Deus, se firma nas Sagradas Escrituras e no testemunho de alguns pais da igreja, e toma forma na vida cotidiana”.

Listamos a seguir alguns dos grandes desafios da espiritualidade (clássica e devocional) para os cristãos do século 21:

  • Vencer a apatia espiritual;
  • Ter integridade e coerência entre nossas convicções e a vida;
  • Aproximar a teologia e a oração;
  • Amar a Deus com a mente e o coração;
  • Manter o foco numa espiritualidade cristã e bíblica;
  • Reconhecer a centralidade da cruz;
  • Trilhar o caminho da obediência ao Senhor;
  • Amar os inimigos e orar por eles;
  • Querer ser o menor e o servo de todos;
  • Aceitar o caminho de Cristo;
  • Viver uma espiritualidade verdadeira.

No livro, Ricardo Barbosa busca apresentar “a natureza da vida cristã a partir das experiências mais comuns e ordinárias da vida, muitas vezes inspirado na sua vivência como pastor”. Consegue se inspirar “no legado deixado pela história da igreja que nos convida a um relacionamento pessoal com Deus, aprendendo com a amizade entre Deus Pai, Filho e Espírito Santo”.

O autor é presidente do Centro Cristão de Estudos, coordenador do Projeto Emaús e Vocatio, e pastor na Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasília, DF. Estudou no Regent College, em Vancouver, Canadá, e foi presidente da Fraternidade Teológica Latino-Americana. Outros livros de sua obra são: “Pensamentos Transformados, Emoções Redimidas” e “A Espiritualidade, o Evangelho e a Igreja”.

O leitor poderá notar durante a leitura que “a imersão do autor na cultura contemporânea propõe uma espiritualidade vivida em todas as esferas da vida pós-moderna”.

Sobre a maneira como o autor aborda o tema, disse seu amigo e companheiro de jornada, Pr. Valdir Steuernagel, também com extrema riqueza espiritual (leia o que citaremos agora com atenção!):

“Ricardo Barbosa nos alerta para o grande desafio que esse tempo representa para a identidade da igreja.

Vamos, aos poucos, perdendo nossa capacidade de relacionamento verdadeiro, honesto, sincero; nossas alianças se fragilizam sob o peso das ressalvas privatizadoras. Nosso Deus se torna distante e discreto.

Numa palavra, um deus ligth. Baixos teores de religiosidade, é o que nos resta. Como reflexo horizontal, vai-se a proximidade, vai-se o calor, vai-se a afetividade, a emoção, a profundidade. Vai-se a vida interior. Vai-se, com isso, toda a possibilidade de verdadeira comunhão. Como recuperar esse cerne do evangelho? Como recuperar a profundidade de vida contida na capacidade de desenvolver relacionamentos amorosos, profundos, duradouros, estáveis e significantes, com Deus e com os irmãos?

Como evitar que nossa vida se transforme em mais um subproduto sintético e padronizado, da sociedade-supermercado em que nos transformamos? É justamente aí que Ricardo pretende trabalhar. Ele nos propõe, a nós, igreja do terceiro milênio, um mergulho nas profundidades abissais de nossos mais secretos anseios de vida e de Deus. E nos oferece, ao resgatar valores das tradições cristãs mais antigas, caminhos para chegar lá.

A redescoberta da espiritualidade é um dos sinais do nosso tempo. Sinal de protesto, de cansaço e esperança. Protesto contra a própria declaração de “autonomia” do ser humano. Cansaço de um materialismo que tornou a vida com Deus, consigo mesmo e com o outro.

Esta espiritualidade dos nossos dias caminha em várias direções, da pirâmide, ao guru oriental. Cabe a igreja, como encarnação e atalaia do evangelho, apontar para um caminho confiável nessa busca por sentido, e significado na vida. Esse caminho, como veremos neste impressionante livro, intitulado o Caminho do Coração, nos leva em direção a trindade Pai, Filho e Espírito Santo e ao nosso próprio coração.

Bem-Aventurados são os que se colocam no caminho desta espiritualidade da trindade, que acaba sendo a espiritualidade do coração.”

Espiritualidade Cristã também é tema constante da obra de Richard J.Foster

Na coletânea “Clássicos Devocionais – 52 leituras dos principais autores sobre renovação espiritual”, Editora Vida, Foster e o outro organizador, James Bryan Smith, falam da necessidade de resgate dos termos “clássico” (tão renegado por aqueles que acham que só o que é recente tem validade e relevância) e “devocional” (preconceituosamente tratado por quem acha que é fuga da realidade e hábito relacionado a algum tipo de omissão prática).

As 6 partes do livro e da vida espiritual (antes tem uma parte preparatória) coincidem com as seis principais tradições, cada uma representando uma “dimensão vital da espiritualidade cristã”.

  • a vida de oração (tradição contemplativa);
  • a vida íntegra (de santidade);
  • a vida no poder do Espírito (tradição carismática);
  • a vida compassiva (da justiça social);
  • a vida centrada na Palavra (tradição evangelical);
  • a vida sacramental (tradição de mesmo nome).

Cada parte é como se fosse a “obtenção de uma dieta equilibrada de nutrientes espirituais” para uma visão equilibrada da fé e da vida.

Outro livro de Foster que aponta o caminho do crescimento espiritual é “Celebração da Disciplina”, também pela Editora Vida.

Nele, o autor fala das disciplinas como três movimentos do Espírito Santo, contribuindo para uma vida espiritual equilibrada.

“As disciplinas interiores levam os famintos de Deus a uma transformação genuína. As disciplinas exteriores são um reflexo das prioridades do Reino de Deus em seus filhos. As disciplinas comunitárias lembram-nos de que é na comunhão entre os cristãos que nos aproximamos mais de Deus”.

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