Líder de renovação espiritual dos anos 60 lança autobiografia e continua afirmando que golpe militar foi resposta de oração

“E Jesus foi vitorioso. Aleluia... E a resposta a essa batalha do céu foi 31 de março de 1964”. A “resposta” a que se refere o ex-presidente da Convenção Batista Nacional (CBN), o pastor Enéas Tognini, em sua autobiografia, lançada recentemente pela editora Hagnos, é o dia do Golpe Militar, e a batalha, o Dia Nacional de Jejum e Oração pelo Brasil, em 1963. Numa das experiências contadas no livro, ele narra como coordenou este evento, inspirado no movimento americano com mesmo nome, realizado um século antes. Considerando a campanha brasileira vitoriosa contra o diabo e o comunismo, o líder chega a dizer: “Um grupo de brasileiros acha que a revolução de 1964 foi política, cometeu muita injustiça. Não importa, o importante é que Deus fechou a porta para o comunismo. Para nós, evangélicos, o maravilhoso resultado foi liberdade para anunciarmos a Palavra de Deus”. Diante dos fatos históricos, tão fartamente confirmados, da tortura, dos desaparecidos políticos, da matança, dos abusos e do terror praticados pelo período militar que se seguiu, afirmações como esta do pastor Tognini não parecem adequadas. Para muitos evangélicos brasileiros, a liberdade para pregar a Palavra não pode prescindir da luta pela justiça e pela proteção da integridade da vida do próximo.

Outras citações do pastor, neste mesmo capítulo do livro, ajudam a comprender melhor seu pensamento a respeito do tema: “Valeu a pena guerrearmos o inimigo com as armas do jejum e da oração...”; “Enquanto houver um povo na brecha da oração, agonizando pelo Brasil, o comunismo jamais triunfará em nossa pátria”; “O diabo não conseguiu tomar o Brasil. Daí para cá, cada 15 de novembro, jejuamos e oramos...”.

 

Mas nem só de posicionamentos que envolvem a área da política é composto este lançamento literário. Além de informações sobre a história dos batistas, a autobiografia do líder do movimento de renovação espiritual dos anos 60 oferece outras experiências deste servo de Deus que podem trazer edificação ao leitor.

 

Leia, a seguir, por exemplo, trecho em que o pastor Enéas Tognini conta um marcante episódio de relacionamento dele com Deus. “Ouvi a voz de Deus pela segunda vez, tão perfeita como a de qualquer mortal, que me dizia num tom imperativo: Entrega... Ao ouvi-la, não tive dúvida nenhuma de que era realmente a voz de Deus. E eu respondi: Entrega o quê, Senhor? E Deus me disse: A biblioteca (tinha uma biblioteca de aproximadamente quatro mil volumes e era para mim um grande e terrível ídolo); e eu disse: Entrego, Senhor! E Deus me pediu o segundo ídolo: a direção do Colégio Batista; e eu disse logo: Entrego também, Senhor! E Deus foi ao meu terceiro ídolo: o pastorado da Igreja Batista de Perdizes; e eu respondi: Entrego, Senhor! Então Deus continuou e me disse: A Família; relutei um pouco, mas disse: Entrego, entrego, Senhor! Ao entregar o último ídolo, veio sobre mim, um Poder tal, como nunca experimentara em minha vida. A Bíblia passou a ser um livro novo para mim; orei com liberdade fora do comum. Tive muita coisa em minha vida para endireitar, inclusive procurar pessoas para pedir-lhes perdão. Passei a pregar com tanto poder que todos estranharam a mudança...”

Atualizada: Sábado, 11 Junho 2011 14:48

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